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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Lembrancas da 2a guerra

TENDÊNCIAS/DEBATES

Lembranças da 2ª Guerra

SÉRGIO PAULO MUNIZ COSTA

Havia uma tropa que nâo distribuía a comida que sobrava nem queimava o excedente para evitar contaminações: a do Brasil



No momento em que o Estado brasileiro ainda debate sobre o cumprimento de um acordo diplomático de extradição com a Itália, a respeito do senhor Cesare Battisti, é oportuno destacar que ontem, dia 14 de abril, completaram-se 65 anos daquela que pode ser considerada a maior vitória da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária nos campos de batalha da Itália.



Montese foi o pontapé nas dobradiças que ajudou o 4º Corpo de Exército norte-americano a arrombar uma porta da linha Gêngis-Khan, a última linha defensiva germânica.

Foi a primeira grande vitória obtida exclusivamente pelos brasileiros, da maneira brasileira, com a participação de batalhões dos três grandes e tradicionais regimentos de infantaria originalmente sediados nos Estados de São Paulo (o 6º), Minas Gerais (11º) e Rio de Janeiro (1º). A manobra continha a ideia da moderna infiltração, hoje familiar à nossa infantaria, e o êxito em muito se deveu à ação audaciosa do pelotão do tenente Iporã Nunes de Oliveira, do 11º RI, de Minas Gerais.

Surpreende constatar que a passagem das tropas brasileiras no norte da Itália está nítida na paisagem e nas pessoas da região da Emilia-Romanha. Monumentos de eloquente singeleza feitos pelas municipalidades locais despertam emoção em quem lê os agradecimentos pela participação brasileira na luta pela liberdade e pela democracia.

Préstimos e sorrisos se abrem a quem pede informações sobre os locais por onde passaram os brasileiros, e se apontam as alturas onde lutaram "i soldati brasiliani".



O monumento brasileiro no sopé de Monte Castelo está no lugar certo.

Não é preciso conhecer a história ou a ciência militar nem ler o texto correto que ali se encontra, castigado pela neve e pelo vento gelado, para pressentir o campo de batalha, onde honra e sacrifício arrostaram as metralhadoras e morteiros alemães.

Dali, voltando o olhar para o sul, pode-se perceber a famosa estrada 64 serpenteando ao lado do Reno na direção de Pistoia, por onde fluíam para a luta os suprimentos e reforços e refluíam os feridos e mortos.



O monumento votivo militar brasileiro em Pistoia é um lugar de paz, ao lado do pequeno cemitério que a comunidade resolveu limitar para dar lugar aos mortos brasileiros que ali repousaram. O pároco local, percebendo brasileiros, apressa-se em lhes entregar lembranças e folhetos do monumento.

O que ficou em todos esses locais por onde passaram as tropas brasileiras? Por que essa memória dos brasileiros, que nem maioria eram naquela Babel de tropas aliadas?



Os números da FEB, segundo padrões brasileiros, impressionam até hoje -cerca de 25 mil homens e mulheres-, mas não eram predominantes. A dimensão do esforço e dos feitos da divisão de infantaria da FEB parece ainda não ter sido notada pelos historiadores brasileiros. Assim, não é de se esperar que o seja por estrangeiros.



Uma pista veio da curiosidade de um adido militar brasileiro, impressionado com a disposição de um italiano em ceder o terreno para acolher um monumento brasileiro.

O proprietário, percebendo a pergunta não feita, antecipou-lhe a resposta: "Nós não esquecemos". Havia uma tropa que não distribuía a comida que sobrava nem queimava o excedente para evitar contaminações. Ela dividia sua comida com os habitantes e as crianças entravam na fila antes dos soldados. Eram os brasileiros.

Após a rendição alemã, o Brasil declinou do oferecimento de um setor de ocupação aliado na Áustria. Fez bem. Das guerras, o país ficou apenas com lembranças, e, se andou pelo lado certo da história, muito deve à cordialidade, seu traço cultural distintivo.

Mas não foi só isso. Uma sensata tradição diplomática de respeito ao direito internacional deu-lhe credibilidade, um patrimônio a ser preservado com a atuação equilibrada do governo brasileiro nos grandes temas da política internacional.



O que, no caso da extradição com a Itália, recomenda o afastamento de qualquer decisão política que ameace a amizade e o reconhecimento dos italianos a tudo aquilo que o Brasil lá deixou em prol dos direitos dos povos.



As lembranças de guerra do Brasil estão vivas no bom combate que travou na luta pela paz. Preservemo-las.



SÉRGIO PAULO MUNIZ COSTA é historiador. Foi delegado do Brasil na Junta Interamericana de Defesa, órgão de assessoria da OEA (Organização dos Estados Americanos) para assuntos de segurança hemisférica

Solicitação:

ALGUM "ASPONE PRESIDENCIAL" POR GENTILEZA LEIA PARA O "APEDEUTA" DO PRESIDENTE LULA, O ARTIGO ACIMA.

Concordo que vai ser muto difícil ele assimilar. Mas vale tentar!!!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Filhos-da-puta versus Militares

É o segundo texto que colo aqui sobre a mini-revolução que está acontecendo nos bastidores do poder.

A confusão é bem simples: um FILHO DA PUTA ligado aos "direitos humanos" (sabe aqueles merdas que ficam só defendendo bandidos!) ficam com revanchismo e sacaneando as Forças Armadas. Eles estão cutucando a onça com vara curta, cada vez menor.

O palhaço-mor, o maior filho da puta, é um comunista safado, com status de ministro, chamado Paulo Vannuchi. Alguém por favor retire esse safado e idiota do Vannuchi do cargo/poder que ele tem!

A Lei da Anistia vale para todos. Não cabe mais enfiar o dedo nessa ferida, e se forem fazer isso, que mostrem também as centenas de assassinatos, bombas, etc e tal que os filhos-das-putas (os comunistas) praticaram!

Mas vamos à notícia:

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Extraído de: http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,projeto-que-revoga-lei-de-anistia-fez-jobim-ameacar-se-demitir,488397,0.htm

Projeto que revoga Lei de Anistia fez Jobim ameaçar se demitir
Ministro vê revanchismo na proposta de Vannuchi e fecha acordo com Lula antes de projeto ir ao Congresso
Christiane Samarco e Eugênia Lopes, de O Estado de S. Paulo


BRASÍLIA - A terceira versão do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), que se propõe a criar uma comissão especial para revogar a Lei de Anistia de 1979, provocou uma crise militar na véspera do Natal e levou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a escrever uma carta de demissão e a procurar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 22, na Base Aérea de Brasília, para entregar o cargo.

Solidários a Jobim, os três comandantes das Forças Armadas (Exército, Aeronáutica e Marinha) decidiram que também deixariam os cargos, se a saída de Jobim fosse consumada.

Na avaliação dos militares e do próprio ministro Jobim, o PNDH-3, proposto pelo ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, e lançado no dia 21 passado, tem trechos "revanchistas e provocativos".

Ao final de três dias de tensão, o presidente da República e o ministro da Defesa fizeram um acordo político: não se reescreve o texto do programa, mas as propostas de lei a enviar ao Congresso não afrontarão as Forças Armadas e, se for preciso, a base partidária governista será mobilizada para não aprovar textos de caráter revanchista.

Os comandantes militares transformaram Jobim em fiador desse acordo, mas disseram que a manutenção da Lei de Anistia é "ponto de honra". As Forças Armadas tratam com "naturalidade institucional" o fato de os benefícios da lei e sua amplitude estarem hoje sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) - isso é decorrente de um processo legal aberto na Justiça Federal de São Paulo contra os ex-coronéis e torturadores Carlos Alberto Brilhante Ustra e Aldir dos Santos Maciel, este já falecido.

Além da proposta para revogar a Lei de Anistia, que está na diretriz que fala em acabar com "as leis remanescentes do período 1964-1985 que sejam contrárias à garantia dos Direitos Humanos", outro ponto irritou os militares e, em especial, o ministro Jobim.

Ele reclamou com Lula da quebra do "acordo tácito" para que os textos do PNDH-3 citassem as Forças Armadas e os movimentos civis da esquerda armada de oposição ao regime militar como alvos de possíveis processos "para examinar as violações de Direitos Humanos praticadas no contexto da repressão política no período 1964-1985".

Jobim foi surpreendido com um texto sem referências aos grupos da esquerda armada. Os militares dizem que se essas investigações vão ficar a cargo de uma Comissão da Verdade, então todos os fatos referentes ao regime militar devem ser investigados.

"Se querem por coronel e general no banco dos réus, então também vamos botar a Dilma e o Franklin Martins", disse um general da ativa ao Estado, referindo-se à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e ao ministro de Comunicação de Governo, que participaram da luta armada. "Não me venham falar em processo para militar pois a maioria nem está mais nos quartéis de hoje", acrescentou o general.

Os militares também consideram "picuinha" e "provocação" as propostas do ministro Vannuchi incluírem a ideia de uma lei "proibindo que logradouros, atos e próprios nacionais e prédios públicos recebam nomes de pessoas que praticaram crimes de lesa-humanidade". "Estamos engolindo sapo atrás de sapo", resumiu o general, que pediu anonimato por não poder se manifestar.

A decisão de Jobim entregar o cargo foi decidida no dia 21 e teve, inicialmente, o apoio solidário dos comandantes Juniti Saito (Aeronáutica) e Enzo Peri (Exército). Consultado por telefone, porque estava no Rio, o comandante da Marinha, o almirante Moura Neto, também aderiu. Diante da tensão, o presidente Lula acertou que se encontraria com Jobim na Base Aérea de Brasília, às 16h30, na volta da viagem ao Rio, onde foi inaugurar casas populares no complexo do Alemão e visitou obras do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento).

Na conversa, Lula rejeitou a entrega da carta de demissão e disse que contornaria politicamente o problema. Pediu que o ministro garantisse aos comandantes militares que o Planalto não seria porta-voz de medidas que revogassem a Lei de Anistia.

Os militares acataram a decisão, mas reclamaram com Jobim da posição "vacilante" do Planalto e do "ambiente de constantes provocações" criado pela secretaria de Vannuchi e o ministro Tarso Genro (Justiça). Incomodaram-se também com o que avaliaram como "empenho eleitoral excessivo" da ministra Dilma no apoio a Vannuchi.

"Lula age assim: empurra a crise com a barriga e a gente nunca sai desse ambiente de ameaça", protestou um brigadeiro em entrevista ao Estado.

Na visão das Forças Armadas, a cerimônia de premiação de vítimas da ditadura, no dia 21, foi "uma armação" para constranger os militares, tendo Dilma como figura central, não só por ter sido torturada, mas por ter chorado e escolhido a ocasião para exibir o novo visual de cabelos curtíssimos, depois da quimioterapia para tratamento de um câncer linfático.


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Jobim põe cargo à disposição

Extraído agora de: http://www.claudiohumberto.com.br/ na parte "A coluna nos jornais"

29/12/2009
Jobim põe cargo à disposição
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e os comandantes das três Forças colocaram os cargos à disposição após o secretário de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, exigir a presença de Jobim na cerimônia do Programa Nacional de Direitos Humanos, semana passada. Teria ameaçado chamar os militares de “covardes”. O presidente Lula teve de intervir para evitar uma possível crise.

Passado é passado
Jobim disse ao presidente que não iria ao evento para ser coerente com sua opinião de não falar e esquecer o passado.

Solidariedade
O brigadeiro Juniti Saito (Aeronáutica) e o general Enzo Peri (Exército) prestaram imediata solidariedade ao ministro Jobim.

Emergência
O almirante Moura Neto (Marinha), que estava no Rio, foi chamado às pressas para discutir como agir em caso de referência aos militares.

Silêncio
O secretário de Direitos Humanos, que tem status de ministro, não respondeu até o fechamento da coluna.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Exercício das Forças Armadas brasileiras preocupa Paraguai

Exercício das Forças Armadas brasileiras preocupa Paraguai

Escrito por Defesa Brasil
Seg, 16 de Novembro de 2009 09:30

Militares simularão ocupação de uma usina elétrica binacional; manobras já estavam previstas há meses.

RICARDO BONALUME NETO

A coincidência entre o apagão de terça-feira passada e o início hoje de um grande exercício militar no sul do Brasil que inclui a ocupação de uma usina hidrelétrica "binacional" despertou temores no Paraguai de que o objetivo do exercício seria simular uma eventual tomada da usina de Itaipu.

"Brasil prepara simulacro de guerra dirigido ao Paraguai", dizia um título na primeira página de anteontem do jornal paraguaio "ABC Color".

"O exercício se anuncia umas 72 horas logo depois que um apagão por falhas não esclarecidas em Itaipu deixou no escuro seis grandes Estados brasileiros e arrastou todo o Paraguai", escreveu o jornal. Na verdade, a operação está planejada faz vários meses; uma manobra deste tamanho não se improvisa em apenas uma semana.

A Operação Laçador é o maior exercício militar da América Latina. A manobra coordenada pelo Comando militar do Sul envolve mais de 8.000 homens das três forças e inclui 13 navios, dois submarinos e 53 aeronaves da FAB.

O cenário envolve a disputa por energia, tanto hidrelétrica como de petróleo. A "guerra" é entre o país "verde" -representado por Paraná, Santa Catarina e parte do Rio Grande do Sul- e o "amarelo" -boa parte do resto do RS. Justamente para evitar interpretações diplomaticamente sensíveis, o exercício será longe de fronteiras.

A "guerra" começa com os "amarelos" invadindo campos de petróleo em torno de Rio Grande (RS) pertencentes aos "verdes", cuja missão é retomá-los, e também ocupar a usina "binacional", representada pela usina de Itá, no rio Uruguai, em Santa Catarina, na divisa com o Rio Grande do Sul.

Militares de várias partes do Brasil vão integrar a operação. São as principais unidades do Exército que estariam envolvidas em uma ação real de pronto emprego, como a retomada de uma hidrelétrica.

Fonte: Folha de São Paulo

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Aeronáutica e Marinha terão poder de polícia

Aeronáutica e Marinha terão poder de polícia

(Valor Econômico)
19/08/2009 07:41

BRASÍLIA - A Aeronáutica e a Marinha ganharão poderes de polícia em situações específicas, o Ministério da Defesa criará uma secretaria para organizar melhor a compra de armamentos e o país terá uma nova cartilha para a hipótese de guerra. Essas mudanças serão apresentadas sexta-feira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo ministro Nelson Jobim, como os primeiros desdobramentos concretos da recém-adotada Estratégia Nacional de Defesa. Eles vão analisar os instrumentos legais, como projetos de lei complementar e decretos presidenciais, necessários para implementar tais alterações.

No primeiro caso, será preciso enviar ao Congresso uma proposta para mudar a lei complementar 97/1999, que dispõe sobre as normas a organização, o preparo e o emprego das Forças Armadas. A intenção do ministro é fechar o cerco ao narcotráfico nas regiões de fronteira. Sua avaliação é que, depois da Lei do Abate, grande parte do transporte de drogas, antes feito por pequenas aeronaves, migrou para barcos nos rios da Amazônia.

Por isso, Jobim defende que a Marinha também passe a ter o direito - hoje inexistente - de atuar como polícia e combater traficantes em águas fluviais. A Lei do Abate, de 2004, permitiu à FAB dar tiros de advertência e até derrubar (mediante autorização pessoal do ministro da Defesa) aeronaves sem plano de voo e com evidências claras de transporte de drogas. Ela fez diminuir muito o número de voos suspeitos, segundo Jobim. Mas ele acha que é preciso ir além e outorgar poder de polícia à Aeronáutica.

Em junho, a FAB divulgou um vídeo do primeiro avião que foi alvo de tiros desde a entrada em vigor da Lei do Abate. Um monomotor com matrícula da Bolívia, que sobrevoava o território de Rondônia, foi identificado e, diante da recusa de tomar o caminho de volta, recebeu tiros de advertência de uma aeronave Super Tucano. O monomotor pousou em uma rodovia do Estado. O curioso é que os militares da FAB ficaram impedidos de providenciar uma ação de captura do piloto-traficante e tiveram que monitorar a tentativa de fuga enquanto esperavam a chegada de policiais. Pela legislação atual, cabe exclusivamente à polícia, desde o pouso de qualquer aeronave, a ordem de prisão. Jobim quer uma lei mais flexível para permitir que a Aeronáutica faça esse papel, na ausência de policiais.

Em outra iniciativa, conforme previa a Estratégia de Defesa em dezembro, a pasta de Jobim criará a Secretaria de Produtos de Defesa. De acordo com o ministro, o objetivo dela será "fixar políticas e diretrizes para as compras" das Forças Armadas, embora os comandos preservem integralmente seus orçamentos para reaparelhamento. A propósito, Jobim entregará a Lula os planos de articulação e reaparelhamento desenhados pelas três Forças.

Esses planos incluem o volume de investimentos necessários para sua modernização, com uma definição de prioridades, e a redistribuição territorial das tropas. O Exército aumentará sua presença na Amazônia e a Marinha deverá instalar uma nova base no Norte e no Nordeste, deixando de ficar concentrada no Rio de Janeiro. Os planos terão um horizonte de trabalho previsto até 2030.

A última mudança a ser examinada sexta-feira é a do decreto de 1980 que estabelece a estrutura militar de guerra, definindo a organização das forças brasileiras em situações de conflito bélico. O documento tornou-se desatualizado e o sinal mais óbvio disso é que, na época, sequer havia Ministério da Defesa. A nova "estrutura militar de defesa", se aprovada pelo presidente, preverá um comando operacional único e a nomeação de um comandante - espécie de "ministro da guerra". "O fundamental é que a doutrina muda. Vamos sair de um modelo de ações combinadas para um modelo de ações conjuntas", afirmou Jobim, após participar ontem da gravação do programa "3 a 1", da TV Brasil, que irá ao ar hoje à noite. "Na hipótese de conflito, as Forças preparam suas tropas, mas não definem as suas ações" , completou.

(Daniel Rittner | Valor Econômico)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Venezuela - um problema no nosso quintal

Venezuela - A crescente ameaça

* Luiz Gonzaga Schröeder Lessa

Quando a Venezuela começa a receber os seus sofisticados materiais de emprego militar, parte do vultoso pacote de 4,4 bilhões de dólares firmado com a Rússia, hoje o seu principal parceiro estratégico, há que se questionar o que planeja com tal poderio militar que desequilibra o balanço de forças, gera intranqüilidade e já motivou o desencadeamento de uma corrida armamentista envolvendo todos os países do continente, inclusive o nosso.

Como nação livre e independente, cabe-lhe se preparar para enfrentar as ameaças que julgar mais atentatórias à sua soberania, sem necessitar de maiores explicações aos seus vizinhos. Todavia, essa seria uma atitude capaz de diminuir as naturais desconfianças que surgem, particularmente, quando o ambicioso projeto em curso contempla materiais de notável capacidade ofensiva, como são exemplos expressivos os 24 jatos Sukhoi, os mais de 50 helicópteros de ataque, potentes blindados BMP-3 em número ainda não definidos, lançadores múltiplos de foguetes, 10 a 15 submarinos classe Amur equipados com mísseis de cruzeiro e torpedos pesados, mísseis aéreos de longo alcance, 100.000 fuzis Kalashinikov, milhares de bombas inteligentes guiadas a laser ou por GPS, modernos sistemas de comando e controle, antiaéreos e outros mais.

Ainda que todo esse material dê à Venezuela um formidável poder de combate, transformando-a no país com maior poderio militar do continente, é ingênuo acreditar, como diz Chávez, que seu rearmamento visa a enfrentar o "império" representado pelos EUA.

Para se contrapor a essa ameaça o que está sendo adquirido é irrisório e em curtíssimo espaço de tempo estaria destruído. Maior resistência poderia oferecer se conduzisse uma guerra de desgaste ao provável invasor, contando com a reação popular e, principalmente, com os cerca de 2 milhões de milicianos em processo de mobilização, subordinados estranhamente não ao Ministério da Defesa, mas ao Comando Geral das Reservas e Mobilização Nacional. Tal comando destina-se a defender o Partido Socialista Unido da Venezuela, o que permite lhe atribuir o papel de guarda pretoriana na eventualidade de um golpe militar contra Chávez.

A campanha que Chávez conduz contra o "império" é desprovida de reais fundamentos e mais parece um blefe para iludir os incautos.

Não se pode lutar contra um país quando se é dele totalmente dependente, como é o caso da Venezuela em relação aos EUA. Basta lembrar que o petróleo, hoje representando 94% das exportações venezuelanas e mais da metade do seu orçamento público, tem como destino principal os EUA, de onde também provêem 80% dos seus produtos importados. Isso faz das críticas contundentes de Chávez um mero jogo de palavras, a traduzir uma insincera e desprezível ameaça, ainda que, aqui e acolá, ocorram escaramuças secundárias como a recente expulsão do embaixador americano de Caracas.

Na expansão da sua República Bolivariana, nos potenciais problemas fronteiriços, especialmente com a Guiana e a Colômbia, nos acordos militares que procura firmar com os países que lhe são ideologicamente próximos, como é o caso do celebrado com a Bolívia, que abre a possibilidade de uma intervenção armada no país e traz grandes preocupações para o Brasil, podemos encontrar algumas justificativas para tamanho poderio militar.

Um aspecto subjacente, mas não menos significativo, em todo esse processo armamentista é a importância que a Rússia ganhou para a Venezuela, como seu principal parceiro estratégico, possibilitando-lhe abrir excelentes oportunidades para o seu expansionismo no continente sul-americano.

Esse objetivo, que há muito vem sendo perseguido pelos russos, se viu frustrado, seja na Intentona Comunista de 1935 no Brasil, seja no período da guerra fria, quando encontrou forte reação à aceitação da doutrina marxista-leninista na área regional.

A então URSS apoiou ostensivamente a Argentina no coflito das Malvinas, em 1982, oferecendo-lhe uma aliança militar, que afinal não se efetivou, com a promessa do fornecimento de sofisticados mísseis e armamentos desesperadamente necessitados pelos argentinos.

Nos dias de hoje, a Rússia vê na Unasul a sua grande chance intervencionista, chegando mesmo a solicitar a sua espúria admissão no recém-criado Conselho de Defesa Sul-Americano da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), na qualidade de observador, conforme noticiado pelo Ministério da Defesa da Argentina, em comunicado de 14 de outubro de 2008.

Também, pediu a inclusão na Associação Latino-Americana de Centros de Treinamento para Operações de Paz (Alcopaz). O mínimo a se dizer é que são muito estranhas tais solicitações e só resta esperar que a Unasul rejeite tão inconvenientes pedidos.

As já acordadas manobras navais russo-venezuelana, previstas para ocorrerem em novembro do corrente ano, com a participação, entre outras, de belonaves de primeira linha como o cruzador de propulsão nuclear Pedro, O Grande e o contratorpedeiro Almirante Chabanenko, trazem para o continente, como uma provocação, aspectos altamente indesejáveis da guerra fria. A Colômbia já manifestou a preocupação com a possível violação do seu mar territorial.

No Brasil, a visita do presidente Dmitri Medvedev, prevista para o final de novembro, é esperada com grande expectativa, quando questões estratégicas e de defesa prometem dominar a agenda.

A íntima cooperação que se estabeleceu entre Moscou e Caracas permitiu ao presidente russo declarar que ela "se transformou em um dos fatores fundamentais da segurança regional".

Embora nossas relações com a Venezuela sejam de excelente nível, a precaução recomenda cautela, em particular, pela fragilidade das nossas forças no dispositivo fronteiriço. As características geográficas de Roraima são altamente favoráveis à guerra de movimento e, presentemente, não temos possibilidade de oferecer tenaz resistência a uma potente coluna de modernos blindados BMP-3, apoiados por uma ameaçadora aviação de caça à base de Suckoi. Nesse cenário, uma guerra aéreo-terrestre nos é altamente desvantajosa.

Urge que o tão propalado Plano de Defesa Nacional, que promete revigorar e modernizar nossas Forças Armadas, seja aprovado no mais curto prazo, saia do papel e se transforme em real vetor dissausório a qualquer ameaça contra o território nacional.

É lastimável a situação das nossas Forças Armadas, que não lhes permite, sequer, o cumprimento das suas missões constitucionais, fragilidade notória que é do conhecimento de todos - opinião pública, Congresso Nacional e Poder Executivo.

O seu estado de degradação chegou a tal ponto que não se trata apenas de repor materiais, mas de se processar uma ampla substituição de praticamente todos os seus armamentos e equipamentos, adequando-se aos tempos modernos e às reais necessidades do País.

De fato, há que se construir um novo Exército, uma nova Marinha, uma nova Força Aérea. O que se pode aproveitar, e aí reside um capital de valor inalienável, é a qualidade dos quadros e da tropa, que tornará possível e mais rápida a indispensável transição para forças armadas atualizadas tecnologicamente detentoras de expressivo poder dissuasório.

O que se teme é que essa manobra logística de grande envergadura, a consumir vultosos recursos, seja inviabilizada pela grave crise econômica mundial que se pronuncia longa e caminha para uma recessão de conseqüências imprevisíveis, com forte impacto no Brasil. De qualquer forma, há que se ativar um Plano B, sob pena de aumentarmos irresponsavelmente as nossas vulnerabilidades, colocando em sério risco as soberania e integridade territorial brasileiras. Com a palavra, o comandante-em-chefe, presidente Lula.

* Luiz Gonzaga Schröeder Lessa é General-de-Exército; comandou o Comando Militar da Amazônia e presidiu o Clube Militar

terça-feira, 1 de julho de 2008

Em defesa das Forças Armadas

Carta publicada no jornal Montblaat (http://www.montblaat.com.br/) no. 295, de 27 de junho de 2008:

Em defesa das Forças Armadas
(Marcos Bonin Villela)

Já vestindo uma velha armadura para me proteger dos inevitáveis petardos que virão, gostaria de comentar algumas reportagens publicadas no Mont 294. O assunto central, não podia deixar de ser, é o crime cometido por um grupo de militares do Exército. Repare que escrevi 'um grupo de militares do Exército' e não como está na manchete: 'EXÉRCITO QUE ASSASSINA'. Foi cometida aí a falácia do todo pela parte. Servi à Marinha por trinta anos e admito que vi pessoas que cometeram desde contravenções até crimes. Mas nunca, repito, nunca com o aval da Marinha ou de qualquer outra Força Armada. Foram as 'maçãs podres' que aparecem nas organizações, mas tenho orgulho em dizer, sempre foram devidamente expelidas do nosso meio e entregues à Justiça.

Reconheço que a sua experiência de repórter o levou ao local de tristes acontecimentos envolvendo militares. Sei também que o período em que fomos governados pelos militares não foi um mar de rosas para muita gente. Entendo a sua aversão aos 'milicos'. Mas não deixe a sua inteligência e imparcialidade como jornalista serem ofuscadas por sentimentos pessoais.

O tenente Vinícius está preso juntamente com os demais participantes do episódio. Cadê os outros? Estão lá no Morro da Mineira comemorando com uma cervejinha, talvez esperando a visita de alguma ONG para verificar se eles estão bem, se não houve seqüelas psicológicas ou alguma lesão física ao manejarem suas armas... Tenho a certeza, pois já vi acontecer naqueles trinta anos de serviço ativo, que os militares responsáveis pelo ocorrido serão julgados pela Justiça Militar num prazo muito menor do que se fosse na Justiça Civil. Ouso dizer que em menos de seis meses já teremos uma decisão.

Os civis do Bateau Mouche levaram vinte anos! E ainda estão soltos. Concordo quanto à não utilização das Forças Armadas em ações policiais. Não somos 'capitães-do-mato'. Nossa formação não é para isso. Aprendemos nas Escolas Militares como fazer a guerra. Numa guerra o inimigo tem nome, endereço e usa um uniforme que o distingue dos amigos. Numa guerra é valida a violência total, como já falava o velho Clausewitz no tempo de Napoleão.

Mas mesmo a guerra tem suas regras, será que o Morro da Mineira aderiu à Convenção de Genebra? Numa guerra, com raras exceções, ao ser feito prisioneiro o soldado tem vários direitos. As eventuais transgressões a esses direitos que já ocorreram foram, na maioria das vezes, punidas exemplarmente. Onde estão os matadores dos três rapazes e de tantos outros que foram torturados e mortos por bandidos desde que o Brizola ('El Ratón', segundo Fidel Castro) foi governador deste nosso pobre Estado?

No mesmo exemplar do Montbläat li vários artigos tentando ligar esse deplorável acontecimento à morte de Cadetes durante treinamento na AMAN. Uma coisa não tem nada a ver com outra. A Academia Militar das Agulhas Negras não é um colégio Sion dedicado à formação de senhoritas da sociedade. É uma Escola Militar com seu currículo adaptado às necessidades da vida militar. E isso obriga o aluno ao manuseio de armas, esforço físico, treinamento constante e, coisa sempre esquecida, um mergulho radical nos livros de Cálculo Infinitesimal, Geometria Analítica, Termodinâmica, Física, Eletrônica, Economia, Administração e mais umas trinta matérias cujas provas são rigorosas e exigem muitas noites mal-dormidas para conseguir o necessário aproveitamento. Ser Cadete pressupõe dedicação aos estudos, preparação física (não se exige preparo físico de advogados ou engenheiros...) e cuidado com o material da Fazenda Nacional (uniformes, calçados, acessórios de ensino, etc.). Qual pode ser o conceito entre seus pares de um colega que perde o 'registro de segurança de tiro' do FAL? No meu tempo isso dava IPM.

O treinamento rigoroso se destina a separar desde cedo os menos adaptados, os mais suscetíveis ao fracasso, os que possam constituir um fardo para os colegas numa situação de combate. Sei disso, vi vários colegas desistirem por vários motivos durante toda a minha carreira. É uma seleção cruel? Sim, mas necessária.

Ouso dizer que o mesmo existe nas outras profissões, conheço médicos que hoje exercem outras atividades honradamente e sem problemas psicológicos. Mas, de vez em quando, surgem notícias de alunos de Faculdades morrendo durante trotes. Ou profissionais fracassados se suicidando.

Uma coisa é certa: uma Escola Militar não é um campo de prisioneiros. Ninguém está lá contra a sua vontade. Para se entrar a disputa é grande, as provas são difíceis e os poucos que passam pelos exames psicológicos e físicos são submetidos à prova durante toda a carreira. Sim, a cada ano são realizados cursos e provas, quem não passa fica para trás. A carreira termina. Ponto final.

Comandei uma Escola de Formação de Marinheiros e, ao início de cada período letivo, meu discurso aos novos alunos era o mesmo: os portões estão abertos, só fica aqui quem quiser.

E, quanto ao tratamento concedido aos bandidos, gostei de saber que, em Nova Iorque, quem tocar num policial estará frito! Aqui, frito, só os submetidos ao 'microondas' nos morros. Perguntem ao Tim Lopes.

Perdoe-me se minhas palavras foram excessivas, apenas fui sincero. Abraços.