Exercício das Forças Armadas brasileiras preocupa Paraguai
Escrito por Defesa Brasil
Seg, 16 de Novembro de 2009 09:30
Militares simularão ocupação de uma usina elétrica binacional; manobras já estavam previstas há meses.
RICARDO BONALUME NETO
A coincidência entre o apagão de terça-feira passada e o início hoje de um grande exercício militar no sul do Brasil que inclui a ocupação de uma usina hidrelétrica "binacional" despertou temores no Paraguai de que o objetivo do exercício seria simular uma eventual tomada da usina de Itaipu.
"Brasil prepara simulacro de guerra dirigido ao Paraguai", dizia um título na primeira página de anteontem do jornal paraguaio "ABC Color".
"O exercício se anuncia umas 72 horas logo depois que um apagão por falhas não esclarecidas em Itaipu deixou no escuro seis grandes Estados brasileiros e arrastou todo o Paraguai", escreveu o jornal. Na verdade, a operação está planejada faz vários meses; uma manobra deste tamanho não se improvisa em apenas uma semana.
A Operação Laçador é o maior exercício militar da América Latina. A manobra coordenada pelo Comando militar do Sul envolve mais de 8.000 homens das três forças e inclui 13 navios, dois submarinos e 53 aeronaves da FAB.
O cenário envolve a disputa por energia, tanto hidrelétrica como de petróleo. A "guerra" é entre o país "verde" -representado por Paraná, Santa Catarina e parte do Rio Grande do Sul- e o "amarelo" -boa parte do resto do RS. Justamente para evitar interpretações diplomaticamente sensíveis, o exercício será longe de fronteiras.
A "guerra" começa com os "amarelos" invadindo campos de petróleo em torno de Rio Grande (RS) pertencentes aos "verdes", cuja missão é retomá-los, e também ocupar a usina "binacional", representada pela usina de Itá, no rio Uruguai, em Santa Catarina, na divisa com o Rio Grande do Sul.
Militares de várias partes do Brasil vão integrar a operação. São as principais unidades do Exército que estariam envolvidas em uma ação real de pronto emprego, como a retomada de uma hidrelétrica.
Fonte: Folha de São Paulo
Jornalistas não são meros investigadores da realidade que passam esse conteúdo apenas em forma de notícias e reportagens para a população. O jornalista caracteriza-se também pela imortalização - nas páginas do seu veículo midiático - como um historiador. Mas não um historiador de grandes eventos da humanidade e sim, essencialmente, um historiador do cotidiano. Seja, então, muito bem vindo, meu caro leitor!
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terça-feira, 17 de novembro de 2009
Exercício das Forças Armadas brasileiras preocupa Paraguai
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Aeronáutica e Marinha terão poder de polícia
Aeronáutica e Marinha terão poder de polícia
(Valor Econômico)
19/08/2009 07:41
BRASÍLIA - A Aeronáutica e a Marinha ganharão poderes de polícia em situações específicas, o Ministério da Defesa criará uma secretaria para organizar melhor a compra de armamentos e o país terá uma nova cartilha para a hipótese de guerra. Essas mudanças serão apresentadas sexta-feira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo ministro Nelson Jobim, como os primeiros desdobramentos concretos da recém-adotada Estratégia Nacional de Defesa. Eles vão analisar os instrumentos legais, como projetos de lei complementar e decretos presidenciais, necessários para implementar tais alterações.
No primeiro caso, será preciso enviar ao Congresso uma proposta para mudar a lei complementar 97/1999, que dispõe sobre as normas a organização, o preparo e o emprego das Forças Armadas. A intenção do ministro é fechar o cerco ao narcotráfico nas regiões de fronteira. Sua avaliação é que, depois da Lei do Abate, grande parte do transporte de drogas, antes feito por pequenas aeronaves, migrou para barcos nos rios da Amazônia.
Por isso, Jobim defende que a Marinha também passe a ter o direito - hoje inexistente - de atuar como polícia e combater traficantes em águas fluviais. A Lei do Abate, de 2004, permitiu à FAB dar tiros de advertência e até derrubar (mediante autorização pessoal do ministro da Defesa) aeronaves sem plano de voo e com evidências claras de transporte de drogas. Ela fez diminuir muito o número de voos suspeitos, segundo Jobim. Mas ele acha que é preciso ir além e outorgar poder de polícia à Aeronáutica.
Em junho, a FAB divulgou um vídeo do primeiro avião que foi alvo de tiros desde a entrada em vigor da Lei do Abate. Um monomotor com matrícula da Bolívia, que sobrevoava o território de Rondônia, foi identificado e, diante da recusa de tomar o caminho de volta, recebeu tiros de advertência de uma aeronave Super Tucano. O monomotor pousou em uma rodovia do Estado. O curioso é que os militares da FAB ficaram impedidos de providenciar uma ação de captura do piloto-traficante e tiveram que monitorar a tentativa de fuga enquanto esperavam a chegada de policiais. Pela legislação atual, cabe exclusivamente à polícia, desde o pouso de qualquer aeronave, a ordem de prisão. Jobim quer uma lei mais flexível para permitir que a Aeronáutica faça esse papel, na ausência de policiais.
Em outra iniciativa, conforme previa a Estratégia de Defesa em dezembro, a pasta de Jobim criará a Secretaria de Produtos de Defesa. De acordo com o ministro, o objetivo dela será "fixar políticas e diretrizes para as compras" das Forças Armadas, embora os comandos preservem integralmente seus orçamentos para reaparelhamento. A propósito, Jobim entregará a Lula os planos de articulação e reaparelhamento desenhados pelas três Forças.
Esses planos incluem o volume de investimentos necessários para sua modernização, com uma definição de prioridades, e a redistribuição territorial das tropas. O Exército aumentará sua presença na Amazônia e a Marinha deverá instalar uma nova base no Norte e no Nordeste, deixando de ficar concentrada no Rio de Janeiro. Os planos terão um horizonte de trabalho previsto até 2030.
A última mudança a ser examinada sexta-feira é a do decreto de 1980 que estabelece a estrutura militar de guerra, definindo a organização das forças brasileiras em situações de conflito bélico. O documento tornou-se desatualizado e o sinal mais óbvio disso é que, na época, sequer havia Ministério da Defesa. A nova "estrutura militar de defesa", se aprovada pelo presidente, preverá um comando operacional único e a nomeação de um comandante - espécie de "ministro da guerra". "O fundamental é que a doutrina muda. Vamos sair de um modelo de ações combinadas para um modelo de ações conjuntas", afirmou Jobim, após participar ontem da gravação do programa "3 a 1", da TV Brasil, que irá ao ar hoje à noite. "Na hipótese de conflito, as Forças preparam suas tropas, mas não definem as suas ações" , completou.
(Daniel Rittner | Valor Econômico)
(Valor Econômico)
19/08/2009 07:41
BRASÍLIA - A Aeronáutica e a Marinha ganharão poderes de polícia em situações específicas, o Ministério da Defesa criará uma secretaria para organizar melhor a compra de armamentos e o país terá uma nova cartilha para a hipótese de guerra. Essas mudanças serão apresentadas sexta-feira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo ministro Nelson Jobim, como os primeiros desdobramentos concretos da recém-adotada Estratégia Nacional de Defesa. Eles vão analisar os instrumentos legais, como projetos de lei complementar e decretos presidenciais, necessários para implementar tais alterações.
No primeiro caso, será preciso enviar ao Congresso uma proposta para mudar a lei complementar 97/1999, que dispõe sobre as normas a organização, o preparo e o emprego das Forças Armadas. A intenção do ministro é fechar o cerco ao narcotráfico nas regiões de fronteira. Sua avaliação é que, depois da Lei do Abate, grande parte do transporte de drogas, antes feito por pequenas aeronaves, migrou para barcos nos rios da Amazônia.
Por isso, Jobim defende que a Marinha também passe a ter o direito - hoje inexistente - de atuar como polícia e combater traficantes em águas fluviais. A Lei do Abate, de 2004, permitiu à FAB dar tiros de advertência e até derrubar (mediante autorização pessoal do ministro da Defesa) aeronaves sem plano de voo e com evidências claras de transporte de drogas. Ela fez diminuir muito o número de voos suspeitos, segundo Jobim. Mas ele acha que é preciso ir além e outorgar poder de polícia à Aeronáutica.
Em junho, a FAB divulgou um vídeo do primeiro avião que foi alvo de tiros desde a entrada em vigor da Lei do Abate. Um monomotor com matrícula da Bolívia, que sobrevoava o território de Rondônia, foi identificado e, diante da recusa de tomar o caminho de volta, recebeu tiros de advertência de uma aeronave Super Tucano. O monomotor pousou em uma rodovia do Estado. O curioso é que os militares da FAB ficaram impedidos de providenciar uma ação de captura do piloto-traficante e tiveram que monitorar a tentativa de fuga enquanto esperavam a chegada de policiais. Pela legislação atual, cabe exclusivamente à polícia, desde o pouso de qualquer aeronave, a ordem de prisão. Jobim quer uma lei mais flexível para permitir que a Aeronáutica faça esse papel, na ausência de policiais.
Em outra iniciativa, conforme previa a Estratégia de Defesa em dezembro, a pasta de Jobim criará a Secretaria de Produtos de Defesa. De acordo com o ministro, o objetivo dela será "fixar políticas e diretrizes para as compras" das Forças Armadas, embora os comandos preservem integralmente seus orçamentos para reaparelhamento. A propósito, Jobim entregará a Lula os planos de articulação e reaparelhamento desenhados pelas três Forças.
Esses planos incluem o volume de investimentos necessários para sua modernização, com uma definição de prioridades, e a redistribuição territorial das tropas. O Exército aumentará sua presença na Amazônia e a Marinha deverá instalar uma nova base no Norte e no Nordeste, deixando de ficar concentrada no Rio de Janeiro. Os planos terão um horizonte de trabalho previsto até 2030.
A última mudança a ser examinada sexta-feira é a do decreto de 1980 que estabelece a estrutura militar de guerra, definindo a organização das forças brasileiras em situações de conflito bélico. O documento tornou-se desatualizado e o sinal mais óbvio disso é que, na época, sequer havia Ministério da Defesa. A nova "estrutura militar de defesa", se aprovada pelo presidente, preverá um comando operacional único e a nomeação de um comandante - espécie de "ministro da guerra". "O fundamental é que a doutrina muda. Vamos sair de um modelo de ações combinadas para um modelo de ações conjuntas", afirmou Jobim, após participar ontem da gravação do programa "3 a 1", da TV Brasil, que irá ao ar hoje à noite. "Na hipótese de conflito, as Forças preparam suas tropas, mas não definem as suas ações" , completou.
(Daniel Rittner | Valor Econômico)
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quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Venezuela - um problema no nosso quintal
Venezuela - A crescente ameaça
* Luiz Gonzaga Schröeder Lessa
Quando a Venezuela começa a receber os seus sofisticados materiais de emprego militar, parte do vultoso pacote de 4,4 bilhões de dólares firmado com a Rússia, hoje o seu principal parceiro estratégico, há que se questionar o que planeja com tal poderio militar que desequilibra o balanço de forças, gera intranqüilidade e já motivou o desencadeamento de uma corrida armamentista envolvendo todos os países do continente, inclusive o nosso.
Como nação livre e independente, cabe-lhe se preparar para enfrentar as ameaças que julgar mais atentatórias à sua soberania, sem necessitar de maiores explicações aos seus vizinhos. Todavia, essa seria uma atitude capaz de diminuir as naturais desconfianças que surgem, particularmente, quando o ambicioso projeto em curso contempla materiais de notável capacidade ofensiva, como são exemplos expressivos os 24 jatos Sukhoi, os mais de 50 helicópteros de ataque, potentes blindados BMP-3 em número ainda não definidos, lançadores múltiplos de foguetes, 10 a 15 submarinos classe Amur equipados com mísseis de cruzeiro e torpedos pesados, mísseis aéreos de longo alcance, 100.000 fuzis Kalashinikov, milhares de bombas inteligentes guiadas a laser ou por GPS, modernos sistemas de comando e controle, antiaéreos e outros mais.
Ainda que todo esse material dê à Venezuela um formidável poder de combate, transformando-a no país com maior poderio militar do continente, é ingênuo acreditar, como diz Chávez, que seu rearmamento visa a enfrentar o "império" representado pelos EUA.
Para se contrapor a essa ameaça o que está sendo adquirido é irrisório e em curtíssimo espaço de tempo estaria destruído. Maior resistência poderia oferecer se conduzisse uma guerra de desgaste ao provável invasor, contando com a reação popular e, principalmente, com os cerca de 2 milhões de milicianos em processo de mobilização, subordinados estranhamente não ao Ministério da Defesa, mas ao Comando Geral das Reservas e Mobilização Nacional. Tal comando destina-se a defender o Partido Socialista Unido da Venezuela, o que permite lhe atribuir o papel de guarda pretoriana na eventualidade de um golpe militar contra Chávez.
A campanha que Chávez conduz contra o "império" é desprovida de reais fundamentos e mais parece um blefe para iludir os incautos.
Não se pode lutar contra um país quando se é dele totalmente dependente, como é o caso da Venezuela em relação aos EUA. Basta lembrar que o petróleo, hoje representando 94% das exportações venezuelanas e mais da metade do seu orçamento público, tem como destino principal os EUA, de onde também provêem 80% dos seus produtos importados. Isso faz das críticas contundentes de Chávez um mero jogo de palavras, a traduzir uma insincera e desprezível ameaça, ainda que, aqui e acolá, ocorram escaramuças secundárias como a recente expulsão do embaixador americano de Caracas.
Na expansão da sua República Bolivariana, nos potenciais problemas fronteiriços, especialmente com a Guiana e a Colômbia, nos acordos militares que procura firmar com os países que lhe são ideologicamente próximos, como é o caso do celebrado com a Bolívia, que abre a possibilidade de uma intervenção armada no país e traz grandes preocupações para o Brasil, podemos encontrar algumas justificativas para tamanho poderio militar.
Um aspecto subjacente, mas não menos significativo, em todo esse processo armamentista é a importância que a Rússia ganhou para a Venezuela, como seu principal parceiro estratégico, possibilitando-lhe abrir excelentes oportunidades para o seu expansionismo no continente sul-americano.
Esse objetivo, que há muito vem sendo perseguido pelos russos, se viu frustrado, seja na Intentona Comunista de 1935 no Brasil, seja no período da guerra fria, quando encontrou forte reação à aceitação da doutrina marxista-leninista na área regional.
A então URSS apoiou ostensivamente a Argentina no coflito das Malvinas, em 1982, oferecendo-lhe uma aliança militar, que afinal não se efetivou, com a promessa do fornecimento de sofisticados mísseis e armamentos desesperadamente necessitados pelos argentinos.
Nos dias de hoje, a Rússia vê na Unasul a sua grande chance intervencionista, chegando mesmo a solicitar a sua espúria admissão no recém-criado Conselho de Defesa Sul-Americano da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), na qualidade de observador, conforme noticiado pelo Ministério da Defesa da Argentina, em comunicado de 14 de outubro de 2008.
Também, pediu a inclusão na Associação Latino-Americana de Centros de Treinamento para Operações de Paz (Alcopaz). O mínimo a se dizer é que são muito estranhas tais solicitações e só resta esperar que a Unasul rejeite tão inconvenientes pedidos.
As já acordadas manobras navais russo-venezuelana, previstas para ocorrerem em novembro do corrente ano, com a participação, entre outras, de belonaves de primeira linha como o cruzador de propulsão nuclear Pedro, O Grande e o contratorpedeiro Almirante Chabanenko, trazem para o continente, como uma provocação, aspectos altamente indesejáveis da guerra fria. A Colômbia já manifestou a preocupação com a possível violação do seu mar territorial.
No Brasil, a visita do presidente Dmitri Medvedev, prevista para o final de novembro, é esperada com grande expectativa, quando questões estratégicas e de defesa prometem dominar a agenda.
A íntima cooperação que se estabeleceu entre Moscou e Caracas permitiu ao presidente russo declarar que ela "se transformou em um dos fatores fundamentais da segurança regional".
Embora nossas relações com a Venezuela sejam de excelente nível, a precaução recomenda cautela, em particular, pela fragilidade das nossas forças no dispositivo fronteiriço. As características geográficas de Roraima são altamente favoráveis à guerra de movimento e, presentemente, não temos possibilidade de oferecer tenaz resistência a uma potente coluna de modernos blindados BMP-3, apoiados por uma ameaçadora aviação de caça à base de Suckoi. Nesse cenário, uma guerra aéreo-terrestre nos é altamente desvantajosa.
Urge que o tão propalado Plano de Defesa Nacional, que promete revigorar e modernizar nossas Forças Armadas, seja aprovado no mais curto prazo, saia do papel e se transforme em real vetor dissausório a qualquer ameaça contra o território nacional.
É lastimável a situação das nossas Forças Armadas, que não lhes permite, sequer, o cumprimento das suas missões constitucionais, fragilidade notória que é do conhecimento de todos - opinião pública, Congresso Nacional e Poder Executivo.
O seu estado de degradação chegou a tal ponto que não se trata apenas de repor materiais, mas de se processar uma ampla substituição de praticamente todos os seus armamentos e equipamentos, adequando-se aos tempos modernos e às reais necessidades do País.
De fato, há que se construir um novo Exército, uma nova Marinha, uma nova Força Aérea. O que se pode aproveitar, e aí reside um capital de valor inalienável, é a qualidade dos quadros e da tropa, que tornará possível e mais rápida a indispensável transição para forças armadas atualizadas tecnologicamente detentoras de expressivo poder dissuasório.
O que se teme é que essa manobra logística de grande envergadura, a consumir vultosos recursos, seja inviabilizada pela grave crise econômica mundial que se pronuncia longa e caminha para uma recessão de conseqüências imprevisíveis, com forte impacto no Brasil. De qualquer forma, há que se ativar um Plano B, sob pena de aumentarmos irresponsavelmente as nossas vulnerabilidades, colocando em sério risco as soberania e integridade territorial brasileiras. Com a palavra, o comandante-em-chefe, presidente Lula.
* Luiz Gonzaga Schröeder Lessa é General-de-Exército; comandou o Comando Militar da Amazônia e presidiu o Clube Militar
* Luiz Gonzaga Schröeder Lessa
Quando a Venezuela começa a receber os seus sofisticados materiais de emprego militar, parte do vultoso pacote de 4,4 bilhões de dólares firmado com a Rússia, hoje o seu principal parceiro estratégico, há que se questionar o que planeja com tal poderio militar que desequilibra o balanço de forças, gera intranqüilidade e já motivou o desencadeamento de uma corrida armamentista envolvendo todos os países do continente, inclusive o nosso.
Como nação livre e independente, cabe-lhe se preparar para enfrentar as ameaças que julgar mais atentatórias à sua soberania, sem necessitar de maiores explicações aos seus vizinhos. Todavia, essa seria uma atitude capaz de diminuir as naturais desconfianças que surgem, particularmente, quando o ambicioso projeto em curso contempla materiais de notável capacidade ofensiva, como são exemplos expressivos os 24 jatos Sukhoi, os mais de 50 helicópteros de ataque, potentes blindados BMP-3 em número ainda não definidos, lançadores múltiplos de foguetes, 10 a 15 submarinos classe Amur equipados com mísseis de cruzeiro e torpedos pesados, mísseis aéreos de longo alcance, 100.000 fuzis Kalashinikov, milhares de bombas inteligentes guiadas a laser ou por GPS, modernos sistemas de comando e controle, antiaéreos e outros mais.
Ainda que todo esse material dê à Venezuela um formidável poder de combate, transformando-a no país com maior poderio militar do continente, é ingênuo acreditar, como diz Chávez, que seu rearmamento visa a enfrentar o "império" representado pelos EUA.
Para se contrapor a essa ameaça o que está sendo adquirido é irrisório e em curtíssimo espaço de tempo estaria destruído. Maior resistência poderia oferecer se conduzisse uma guerra de desgaste ao provável invasor, contando com a reação popular e, principalmente, com os cerca de 2 milhões de milicianos em processo de mobilização, subordinados estranhamente não ao Ministério da Defesa, mas ao Comando Geral das Reservas e Mobilização Nacional. Tal comando destina-se a defender o Partido Socialista Unido da Venezuela, o que permite lhe atribuir o papel de guarda pretoriana na eventualidade de um golpe militar contra Chávez.
A campanha que Chávez conduz contra o "império" é desprovida de reais fundamentos e mais parece um blefe para iludir os incautos.
Não se pode lutar contra um país quando se é dele totalmente dependente, como é o caso da Venezuela em relação aos EUA. Basta lembrar que o petróleo, hoje representando 94% das exportações venezuelanas e mais da metade do seu orçamento público, tem como destino principal os EUA, de onde também provêem 80% dos seus produtos importados. Isso faz das críticas contundentes de Chávez um mero jogo de palavras, a traduzir uma insincera e desprezível ameaça, ainda que, aqui e acolá, ocorram escaramuças secundárias como a recente expulsão do embaixador americano de Caracas.
Na expansão da sua República Bolivariana, nos potenciais problemas fronteiriços, especialmente com a Guiana e a Colômbia, nos acordos militares que procura firmar com os países que lhe são ideologicamente próximos, como é o caso do celebrado com a Bolívia, que abre a possibilidade de uma intervenção armada no país e traz grandes preocupações para o Brasil, podemos encontrar algumas justificativas para tamanho poderio militar.
Um aspecto subjacente, mas não menos significativo, em todo esse processo armamentista é a importância que a Rússia ganhou para a Venezuela, como seu principal parceiro estratégico, possibilitando-lhe abrir excelentes oportunidades para o seu expansionismo no continente sul-americano.
Esse objetivo, que há muito vem sendo perseguido pelos russos, se viu frustrado, seja na Intentona Comunista de 1935 no Brasil, seja no período da guerra fria, quando encontrou forte reação à aceitação da doutrina marxista-leninista na área regional.
A então URSS apoiou ostensivamente a Argentina no coflito das Malvinas, em 1982, oferecendo-lhe uma aliança militar, que afinal não se efetivou, com a promessa do fornecimento de sofisticados mísseis e armamentos desesperadamente necessitados pelos argentinos.
Nos dias de hoje, a Rússia vê na Unasul a sua grande chance intervencionista, chegando mesmo a solicitar a sua espúria admissão no recém-criado Conselho de Defesa Sul-Americano da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), na qualidade de observador, conforme noticiado pelo Ministério da Defesa da Argentina, em comunicado de 14 de outubro de 2008.
Também, pediu a inclusão na Associação Latino-Americana de Centros de Treinamento para Operações de Paz (Alcopaz). O mínimo a se dizer é que são muito estranhas tais solicitações e só resta esperar que a Unasul rejeite tão inconvenientes pedidos.
As já acordadas manobras navais russo-venezuelana, previstas para ocorrerem em novembro do corrente ano, com a participação, entre outras, de belonaves de primeira linha como o cruzador de propulsão nuclear Pedro, O Grande e o contratorpedeiro Almirante Chabanenko, trazem para o continente, como uma provocação, aspectos altamente indesejáveis da guerra fria. A Colômbia já manifestou a preocupação com a possível violação do seu mar territorial.
No Brasil, a visita do presidente Dmitri Medvedev, prevista para o final de novembro, é esperada com grande expectativa, quando questões estratégicas e de defesa prometem dominar a agenda.
A íntima cooperação que se estabeleceu entre Moscou e Caracas permitiu ao presidente russo declarar que ela "se transformou em um dos fatores fundamentais da segurança regional".
Embora nossas relações com a Venezuela sejam de excelente nível, a precaução recomenda cautela, em particular, pela fragilidade das nossas forças no dispositivo fronteiriço. As características geográficas de Roraima são altamente favoráveis à guerra de movimento e, presentemente, não temos possibilidade de oferecer tenaz resistência a uma potente coluna de modernos blindados BMP-3, apoiados por uma ameaçadora aviação de caça à base de Suckoi. Nesse cenário, uma guerra aéreo-terrestre nos é altamente desvantajosa.
Urge que o tão propalado Plano de Defesa Nacional, que promete revigorar e modernizar nossas Forças Armadas, seja aprovado no mais curto prazo, saia do papel e se transforme em real vetor dissausório a qualquer ameaça contra o território nacional.
É lastimável a situação das nossas Forças Armadas, que não lhes permite, sequer, o cumprimento das suas missões constitucionais, fragilidade notória que é do conhecimento de todos - opinião pública, Congresso Nacional e Poder Executivo.
O seu estado de degradação chegou a tal ponto que não se trata apenas de repor materiais, mas de se processar uma ampla substituição de praticamente todos os seus armamentos e equipamentos, adequando-se aos tempos modernos e às reais necessidades do País.
De fato, há que se construir um novo Exército, uma nova Marinha, uma nova Força Aérea. O que se pode aproveitar, e aí reside um capital de valor inalienável, é a qualidade dos quadros e da tropa, que tornará possível e mais rápida a indispensável transição para forças armadas atualizadas tecnologicamente detentoras de expressivo poder dissuasório.
O que se teme é que essa manobra logística de grande envergadura, a consumir vultosos recursos, seja inviabilizada pela grave crise econômica mundial que se pronuncia longa e caminha para uma recessão de conseqüências imprevisíveis, com forte impacto no Brasil. De qualquer forma, há que se ativar um Plano B, sob pena de aumentarmos irresponsavelmente as nossas vulnerabilidades, colocando em sério risco as soberania e integridade territorial brasileiras. Com a palavra, o comandante-em-chefe, presidente Lula.
* Luiz Gonzaga Schröeder Lessa é General-de-Exército; comandou o Comando Militar da Amazônia e presidiu o Clube Militar
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