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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Tentações

(Historiador do cotidiano)

Eu já devia ter postado isso semana passada, mas fiquei na dúvida. Com o sermão de ontem eu tive certeza, então lá vai:

Resistir às tentações

As pessoas às vezes acham que resistir a uma tentação é simplesmente evitar ter contato com ela. Isso pode até ser, mas na MINHA opinião a maior resistência é você enfrentar uma tentação e resistir a ela.

Por exemplo os chocólatras: Existem pessoas com deficiências sentimentais que descontam seus problemas nos chocolates. Essas pessoas dizem que para evitar o vício precisam que ninguém passe com chocolates perto delas. Mas que absurdo! Quer dizer que temos que erradicar o chocolate do mundo porque umas pessoas não conseguem se controlar? O autocontrole é fundamental. Não podemos culpar o mundo pelas nossas fraquezas, temos que sermos fortes e as enfrentarmos.

Outro exemplo é o das pessoas sem paciência: As pessoas se estressam com algumas coisas, e simplesmente explodem. Essas pessoas não sabem se controlar e colocam a culpa nas coisas ou pessoas. "Ah, se você não me pertubar eu não ficarei estressado", é uma argumentação comum dessas pessoas. Ora bolas, quer dizer que a partir de agora vamos erradicar todas as pertubações do mundo? Quem me dera que não existisse mais chateação, mas é a mesma coisa do chocolate: O autocontrole é fundamental. Não podemos culpar o mundo pelas nossas fraquezas, temos que sermos fortes e as enfrentarmos.

E agora vamos ao mais importante: as tentações da Fé! Um padre que gosto muito uma vez falou que "estamos numa guerra contra o mal, e de vez em quando levamos uma bala perdida!". Foi nesse sermão dele que eu despertei para o texto desse artigo: As tentações, as dificuldades, os infortúnios existem. E não podemos culpar os outros pelas nossas fraquezas, temos que levantar, sacudir a poeira, enfrentar e seguir em frente!

As tentações existem. As da fé são as piores, mas cabe a nós enfrentarmos a situação. E observem que "enfrentar" não significa "brigar" ou "discutir", significa não culpar os outros pelas nossas fraquezas.

Força não é uma coisa que se ganha como presente, é uma coisa que se desenvolve na loooooonga caminhada da vida.

E você, como tem agido diante dos infortúnios?








Desejo a ti uma excelente semana, com muita saúde, paz, amor e fé. Fique com Deus!

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sábado, 27 de setembro de 2008

Concursos públicos x Futuro da Nação

(Historiador do cotidiano)

"Vocês são a geração do futuro!"

Piada. Das grandes! Minha geração não é a do futuro. É do presente e olhe lá... Da minha turma do colégio devem ter se formado cerca de 100 alunos - um pouco menos - e quantos ainda pensam em mudar o mundo? Se muito, eu sou o único. O resto só quer saber de ter um empreguinho, ter seu dinheirinho (não necessariamente suado), ter filhos, envelhecer e morrer em paz.

Thomas Paine certa vez disse: "Se há que haver problemas, que seja nos meus dias, para que meus filhos tenham paz". Faço minhas as palavras dele. Não podemos esperar para amanhã tentar corrigir as cagadas que damos hoje, ou que nossos antepassados deram - seja por inocência, por falta de conhecimentos científicos ou por maldade, não importa. O que importa é ajeitar o mundo.

Por que essa revolta hoje? Estava conversando com algumas pessoas que estão estudando para fazer concursos. Eu me envergonho até de dizer... mas vocês sabem qual é a idéia geral? "Vamos passar no concurso público para ter nosso dinheiro, e depois a gente monta alguma coisa privada e vai fazer o que realmente gosta".

Como assim, ganhar dinheiro e sair para fazer o que gosta? É por isso que o serviço público brasileiro não presta: porque as pessoas querem entrar, se aproveitar da "Lei de Gerson" e irem embora. Não se importam em melhorar o próprio país; Não querem saber da população, dos idosos dos outros, dos filhos dos outros, dos netos dos outros; e não pensam que eles próprios serão idosos em alguns anos, e que eles próprios terão filhos e netos. As pessoas não pensam no bem comum, só nos próprios umbigos. É UMA VERGONHA, como diria Boris Casoy.

Enquanto cada um de nós não levantar a bunda, largar essa preguiça, e trabalhar em prol da Nação, não teremos um futuro melhor. Podem apostar nisso. E se você ousar dizer que sou pessimista, eu afirmo que sou mais patriota do que você que só quer fazer dinheiro. Na época dos meus pais e avós, na época do governo militar, o serviço público prestava: você tinha coragem de estudar em escolas públicas ou de ser atendido em serviços públicos de saúde. Hoje em dia você só utiliza os serviços públicos se for obrigado, porque qualquer pessoa com recursos financeiros vai procurar a iniciativa privada - e novamente temos o sucateamento do serviço público.

O próprio nome já diz: PÚBLICO! É meu, seu, dos nossos pais, dos nossos avós, dos nossos filhos e netos. É nosso, de cada um de nós brasileiros. De cada um que tem o Brasil no coração!

Por que então sucatearmos o que é nosso? Por que não tomarmos conta do que é nosso? Por que não lutarmos pela melhoria dos serviços e produtos que existem por nossa causa? Porque as pessoas se acomodam!

O serviço público é nosso. A Amazônia é nossa! O BRASIL É NOSSO!

VAMOS FAZER DESTE O MELHOR LUGAR DO MUNDO PARA NOSSOS IDOSOS, COMO TAMBÉM PARA NOSSOS FILHOS E NETOS!

"Se há que haver problemas, que seja nos meus dias, para que meus filhos tenham paz" (Thomas Paine)

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Compaixão reduz estresse

Extraído de: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lavanguardia/2007/09/13/ult2684u355.jhtm

03/set/2007
Entrevista com o Dalai Lama: "A prática da compaixão beneficia a saúde porque diminui o estresse"

Xavier Mas de Xaxàs e Joaquín Luna
Em Barcelona

Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama, líder espiritual do budismo tibetano e prêmio Nobel da paz, recebeu "La Vanguardia" antes de dar uma conferência no Palau Sant Jordi sobre a felicidade, a necessidade de amor e a compaixão. A China ocupou violentamente o Tibete em 1959 e desde então o Dalai Lama vive no exílio em Dharmsala, nas encostas do Himalaia indiano. As negociações para uma solução de acordo com Pequim estão estagnadas há dois anos. Ele não exige a independência, mas uma autonomia que mantenha a cultura tibetana e a religião budista sem ingerências da China.

Dalai Lama defende educação secular para "unir pessoas de diferentes religiões"

La Vanguardia - Os países ocidentais fazem o suficiente para incluir os ensinamentos cívicos do budismo em seus programas educacionais?
Dalai Lama - Há ensinamentos como a felicidade, o amor, a tolerância e a compaixão que são comuns a todas as religiões. Em todo caso, a educação deve ser secular. Não deve ser religiosa, para que assim possa unir pessoas de diferentes religiões. Os códigos morais se dão à margem das religiões. Baseiam-se no senso comum e também na ciência.

LV - Como o senhor explica que a cada dia haja mais cientistas que se inclinam pelo budismo?
Dalai Lama - Está demonstrado cientificamente que a prática da compaixão beneficia a saúde porque reduz o estresse. Não se trata de falar sobre Deus e a reencarnação, mas de buscar em nosso interior e sermos compassivos. Ajuda a baixar a pressão arterial e nossa saúde melhora. Precisamos de um programa educacional desde o jardim-de-infância até a universidade, que alerte sobre a importância da bondade.

LV - Como caminho para a paz?
Dalai Lama - Para promover a paz mundial devemos insistir na bondade, porque a paz só chegará através da paz interior. É preciso ensinar aos jovens que os conflitos só poderão ser solucionados mediante o diálogo. Isso quer dizer a não-violência. Portanto, creio que os governos devem se esforçar mais para divulgar a educação da bondade.

LV - Existe no Ocidente uma atitude acomodada em relação às religiões, de maneira que apanhamos o que é mais fácil de cada uma?
Dalai Lama - É importante manter as tradições. O budismo pertence à Ásia. Mas certas pessoas ocidentais acham mais interessante o budismo. Em geral, é preferível que cada indivíduo mantenha sua tradição religiosa. É possível escolher aspectos de várias religiões em nível superficial, mas é impossível em um nível mais profundo.

LV - É possível retomar as negociações com a China para solucionar o problema tibetano?
Dalai Lama - Apesar de que a cada dia a situação no interior do Tibete é mais grave por culpa da opressão chinesa, estamos comprometidos com uma solução que não inclua a independência, mas uma ampla autonomia, semelhante à que vocês desfrutam aqui na Catalunha, dentro do âmbito da democracia e do Estado de direito. Depende deles. Esperamos que se manifestem.

LV - O catolicismo cresce na China graças a um entendimento de fato entre o governo e o Vaticano. Essa seria uma via para o Tibete?
Dalai Lama - Nossa situação é diferente. O problema do catolicismo na China é sua submissão ao Vaticano. O problema tibetano não tem a ver com uma instituição religiosa. É um problema histórico. Durante mil anos o Tibete e a China tiveram nomes diferentes. Não existe um nome para englobar a China e o Tibete. Nós, tibetanos, somos diferentes. Os chineses dizem que o Tibete faz parte da China, mas não é verdade. Os tibetanos não nos sentimos chineses. Mas o passado é passado, e o que importa agora é o futuro. Estamos de acordo que o Tibete permaneça dentro da República Popular, mas queremos que nossos recursos naturais e o desenvolvimento nos beneficiem mais. Também exigimos o respeito à nossa cultura, nossa língua e literatura. Além disso, o budismo tibetano representa a mais rica tradição budista. Por tudo isso devemos ter uma autonomia com conteúdo, não como a que outras províncias chinesas têm hoje. Essa é a chave, os direitos de 6 milhões de pessoas, e não o retorno do Dalai Lama. Não quero recuperar os títulos que tinha antes de 1959. Sou apenas um simples monge budista.

LV - O senhor acredita que os Jogos Olímpicos de Pequim possam favorecer a causa tibetana?
Dalai Lama - Alguns amigos nos dizem que os jogos são uma boa oportunidade para abrir a China e conseguir mais liberdade. Mas não tenho certeza. Por exemplo, vejo que há alguns meses se prometeu livre acesso à imprensa internacional, mas agora há mais restrições.

LV - O senhor considera que a comunidade internacional deveria pressionar mais Pequim sobre a situação do Tibete?
Dalai Lama - Há países como os EUA e instituições como o Parlamento Europeu que, quando têm a oportunidade, manifestam ao governo chinês suas preocupações sobre o Tibete, especialmente sobre os direitos humanos e a liberdade religiosa.

LV - O senhor acredita que a ONU não faz o suficiente para defender o Tibete?
Dalai Lama - No início dos anos 50 apelamos à ONU. Voltamos a fazê-lo em 1959. Conseguimos apoios suficientes para aprovar três resoluções (1959, 1961 e 1965). Nos anos 70, porém, entendemos que era mais prático tratar diretamente com a China. Tenho uma visão crítica da ONU.

LV - Acredita que é inútil para a causa tibetana?
Dalai Lama - Inútil é uma palavra forte demais, mas responde aos interesses dos governos. Além disso, aprovou três resoluções, e do ponto de vista moral tem certa responsabilidade.

LV - A religião se transformou no Iraque em uma força violenta?
Dalai Lama - Algumas pessoas do mundo árabe vêem com suspeita e desconfiança a influência da modernidade ocidental. A principal causa da guerra no Iraque e dos atentados de 11 de Setembro é a desconfiança. O mundo árabe esteve um pouco isolado durante séculos. Ao contrário da Índia ou da Indonésia, onde houve uma longa tradição de convivência religiosa. Com relação ao Iraque e ao Afeganistão, os EUA tentaram levar para lá a democracia, mas viram que era complexo demais. Diante desse fracasso, os cidadãos se encheram de emoção, de emoção demais, e é por isso que, em nome da religião, xiitas e sunitas se matam. É terrível, mas quando há tanta emoção é muito fácil manipular apelando para a religião.

LV - O povo tibetano aceitaria uma solução imposta de fora?
Dalai Lama - Se os chineses impuserem a democracia no Tibete, serão recebidos de braços abertos. A democracia é o futuro do Tibete. Há seis anos temos um Parlamento e um governo no exílio, com um primeiro-ministro. Desde então eu estou semi-aposentado.

LV - É difícil conciliar ser um homem de Estado e um homem de fé?
Dalai Lama - Absolutamente. Creio na separação entre a religião e o Estado. Antes eles estavam unidos no Tibete, mas não é bom. A liberdade tibetana, porém, está muito ligada à religião, pois sem liberdade não se pode praticar o budismo. A luta pela liberdade do Tibete faz parte de minha prática religiosa.

LV - Na medida em que o senhor envelhece, aumenta a saudade de Lhasa? Não seria ruim não poder regressar?
Dalai Lama - Não muito. De verdade. Não é tão importante. O importante é a liberdade.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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