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domingo, 20 de setembro de 2009

Sono x Saúde

Extraído de: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI93675-15257,00-CIENTISTAS+EXPLICAM+LIGACAO+ENTRE+SONO+E+MEMORIA.html

Cientistas explicam ligação entre sono e memória
Experimentos realizados em laboratório demonstram que as memórias recentes se consolidam durante o estágio mais profundo do sono

DESCANSO
Assim como os ratos, os seres humanos também consolidariam suas lembranças durante o sono


REDAÇÃO ÉPOCA

Um estudo conjunto de pesquisadores franceses e americanos descreveu, pela primeira vez, o papel de uma boa noite de sono para a consolidação das lembranças. Segundo um artigo publicado pela Nature Neuroscience, a transformação das memórias recentes em memórias de longo prazo ocorre durante os estágios 3 e 4 (mais profundos) do sono.

O fenômeno responsável por essa passagem são ondulações chamadas fusos do sono – picos de atividade cerebral registrados em pacientes que dormem adequadamente. Durante a noite, essas ondas transfeririam as informações de uma região mais primitiva do cérebro (hipocampo) para uma região mais complexa (neocórtex). O procedimento pode ser repetido diversas vezes, o que explica o fato de algumas lembranças serem mais nítidas que outras.

Para comprovar a hipótese, os pesquisadores inibiram artificialmente a produção dessas ondulações em ratos de laboratório, que em seguida eram obrigados a percorrer o mesmo caminho de obstáculos por alguns dias. Ao contrário dos outros ratos, o grupo que não produzia os fusos do sono não conseguiu lembrar o trajeto depois de acordar.

O impacto da insônia sobre a memória já havia sido comprovado por experimentos anteriores, mas neurologistas e psiquiatras ainda estavam à procura de uma explicação para o fato. “Nunca se soube qual era a atividade cerebral responsável pelo processo”, afirma a neurologista Rosa Hasan, coordenadora do departamento de sono da Academia Brasileira de Neurologia. Embora a natureza do experimento dificulte a realização de testes com humanos, as semelhanças entre os cérebros dos mamíferos indicam que os resultados também se aplicam ao homem.

O melhor colchão para um bom sono

Saiba como escolher o colchão e o travesseiro certos para seu corpo
Edição: luciana vicária


O ritual para quem deseja dormir bem é extenso. Especialistas recomendam apagar todas as luzes do quarto, comer apenas alimentos leves, tomar banho quente momentos antes de se deitar e repetir tudo sempre no mesmo horário. Tão importante quanto se preparar para o sono, porém, é estar certo de que a estrutura que sustenta o corpo é adequada.

Um colchão muito duro para seu peso pode causar problemas graves na coluna, como lombalgia e lordose. O mesmo acontece com um travesseiro baixo demais para quem dorme de lado. Os efeitos de uma noite agitada na cama são bem conhecidos: irritação e falhas de memória, entre tantos outros. Quem dorme mal levanta cansado, é pouco criativo e seu equilíbrio é alterado.

O bafômetro não acusa a falta de sono, mas os efeitos do cansaço são os mesmos de uma embriaguez. Uma noite sem dormir equivale ao efeito de três doses de uísque, de acordo com a Associação Brasileira do Sono. Saiba como escolher o melhor apoio para seu corpo nas páginas seguintes.

O “recheio” mais tecnológico para colchões e travesseiros chama-se viscoelástico, uma espuma especial que tem a capacidade de se amoldar aos contornos do corpo, de modo que ele fique totalmente apoiado (custa entre R$ 4 mil e R$ 15 mil). É o mais vendido na Europa e nos Estados Unidos, mas ainda é pouco comum no Brasil. Se você não quer gastar muito, prefira os colchões de espuma e mola de bons fabricantes. E os travesseiros de boas marcas que se amoldam melhor a seu pescoço e à posição de dormir.

Seu sono pode render mais

Entre os mais de mil modelos de colchões e travesseiros, como escolher o que melhor se adapta a você. E mais: quais são as posições indicadas para relaxar

O que acontece com o corpo se você usa um colchão...



E se você usa o travesseiro...



Crianças sedentárias têm mais dificuldades para dormir

Estudo diz que crianças que fazem mais atividades durante o dia dormem mais cedo e correm menos riscos de se tornarem obesas

Um recente estudo divulgado na Nova Zelândia comprava o que muitos pais já sabem: crianças inativas durante o dia demoram muito mais tempo para dormir do que as que se movimentam com mais frequência.

Porém, agora, os pesquisadores chegaram a uma conta que pode influenciar os pais a “obrigarem” seus filhos a ter uma vida mais agitada. Cada uma hora parada acrescenta três minutos ao tempo que leva uma criança a adormecer. Além disso, crianças que praticam alguma atividade caem no sono mais cedo e dormem mais.

A pesquisa, realizada pela Universidade de Auckland, acompanhou os hábitos de 591 crianças, todas de 7 anos de idade. Em média, o tempo para as crianças mais ativas adormecerem foi 26 minutos, variando entre 12 e 46 minutos. As crianças sedentárias, levaram, em média, 15,5 minutos a mais para dormir.

Cerca de 16% dos pais de crianças relataram aos pesquisadores que seus filhos têm dificuldades em adormecer. Essa dificuldade, segundo o estudo, tem impacto negativo no desempenho escolar, além de contribuir para o aumento do risco de a criança se tornar obesa ou ter sobrepeso.

"Este estudo enfatiza a importância da atividade física para crianças, não só para a saúde cardiovascular e o controle do peso, mas também para a qualidade do sono", concluíram os pesquisadores.

Mas os pais devem ficar preocupados com os filhos que dormem menos?

Não exatamente, segundo David Rapoport, diretor da New York Universidade do Distúrbio do Sono de Nova York. "Isso é da natureza de cada um. O objetivo do sono está em recuperar energia para as atividades. Se a criança pratica exercícios, naturalmente, precisa de mais tempo de sono".

Rapoport afirma que o estudo também apontou que a dificuldade em pegar no sono pode estar ligada ao fato de os pais colocarem os filhos “sedentários” na cama quando eles ainda não estão prontos para dormir, ou seja, muito cedo.

Sono ruim faz mal à saúde

(Marcio Atalla)

O mundo competitivo e acelerado em que vivemos é de tirar o sono. Um estudo recente feito no Canadá mostrou que a insônia causa uma enorme improdutividade e gera gastos de mais de US$ 6 bilhões por ano. A má qualidade do sono é extremamente perigosa à saúde. É preciso ajustar alguns hábitos e procurar garantir que o sono recupere o corpo e a mente para o dia seguinte.

Estou dormindo muito mal e me sinto cansada o dia inteiro. O que posso fazer para melhorar a qualidade de meu sono? – Carolina Santiago, 39 anos – Búzios, RJ

A insônia pode ter causas orgânicas e psíquicas. Pesquisas recentes apontam a produção inadequada de serotonina pelo organismo e o estresse como causas mais importantes. Tente manter uma rotina com horário para dormir e para acordar – o relógio biológico responde melhor se habituado a horários regulares. Um banho morno antes de se deitar ajuda a relaxar os músculos tensionados. Beber um copo de leite morno ou comer uma banana à noite é indicado, porque ambos contêm o aminoácido triptofano, que relaxa os músculos e induz ao sono. Por fim, escolha um colchão e travesseiro adequados e procure manter o quarto escuro e sem barulho.

Gosto muito de me exercitar. Costumo fazer exercícios até duas vezes ao dia. Mas demoro muito para pegar no sono e acabo dormindo pouco. Isso pode acontecer por excesso de atividade física? – Richard Bollenger, 46 anos – Salvador, BA

Fazer exercício físico regular é ótimo e ajuda na qualidade do sono. Mas tudo o que é feito em excesso é prejudicial. Com a atividade física não é diferente. Enquanto você dorme, seu corpo se recupera dessas atividades. Por isso é importante que esse sono seja de boa qualidade e dure uma quantidade de horas suficiente. Minha dica é que você deixe de fazer os exercícios físicos mais intensos no período da noite, porque eles aceleram seu metabolismo e dificultam o relaxamento. Se tiver de se exercitar perto do horário de dormir, prefira as atividades de intensidade leve e moderada.

Qual é o número de horas ideal para dormir? O que acontece se eu dormir menos que o ideal? – Geraldo Ferreira Filho, 34 anos – Curitiba, PR

A quantidade de horas ideal para o sono varia de pessoa para pessoa, mas a média para um adulto é de sete a oito horas. Os prejuízos de um sono inadequado são bastante evidentes. Pessoas que não dormem bem apresentam mal-estar e perda de raciocínio. O aprendizado também é prejudicado, a concentração é afetada e o organismo não se recupera de forma adequada para enfrentar um novo dia, causando sonolência, fraqueza etc. O sono apresenta vários estágios, e a passagem por essas fases é fundamental para sua eficiência. Por isso não se preocupe apenas com a quantidade de horas de sono, mas com a qualidade também.

domingo, 12 de abril de 2009

Na minha memoria não!

(Historiador do cotidiano)

São 22:09h de domingo, 12 de abril. Na Globo, no Fantástico, está passando uma reportagem sobre memória, e sobre a capacidade da ciência em apagar as memórias.

A possibilidade é intrigante. Num dos instantes o repórter pergunta: "Se você pudesse, o que apagaria da sua memória?"

A minha resposta é curta e grossa: "Nada!"

Tenho memórias ruins, mas quem não as tem? Pode ter sido um problema intestinal, uma dor, um chute no saco, uma desilusão (amorosa, religiosa, de amizade, ou o que for), pode ter sido algo que você fez, pode ter sido algo que fizeram contigo, pode ter sido muita coisa.

Mas o que eu apagaria? Absolutamente nada. Por que? Porque quem sou hoje em dia é fruto do que eu vivi. Tanto as coisas boas como as coisas ruins.

Eu sou hoje fruto do que vivi ontem. Sem o ontem eu não seria o que sou hoje, e não teria os parâmetros corretos para ser melhor amanhã.

Alterar recordações? Na minha memória não!

E na sua?

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Mitos e verdades sobre o cerebro

Extraído de: http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=3217

Não é verdade que usamos só 10% do nosso intelecto e nem que a música de Mozart deixe os bebês mais inteligentes. Seu funcionamento, no entanto, pode melhorar graças aos videojogos. Os neurologistas estadunidenses Sandra Aamodt e Sam Wang desentranham em 46 curiosidades os segredos dos fascinantes 1.400 gramas de matéria que se alojam no crânio de cada um de nós.


Mitos:

  1. Beber não destrói neurônios.
    Beber em excesso durante muitos anos pode reduzir o tamanho do cérebro, mas, pelo geral, se trata de um fenômeno reversível. O vinho tinto pode inclusive proteger o cérebro, ao reduzir o risco de derrames cerebrais, desde que a dose oscile entre dois copos por semana e até três taças ao dia como máximo.

  2. Um golpe forte na cabeça não cura a amnésia.
    Por mais que o cinema tenha se empenhado em nos convencer do contrário. Também não se consegue com hipnose nem com a visão de um objeto muito apreciado; em relação à neurocirurgia, é mais provável que, em lugar de remediar a perda de memória, a cause.

  3. A metade esquerda não é "racional".
    Essa região do córtex cerebral é a que produz a linguagem e resolve os problemas, mas isso não quer dizer que seja a "metade racional". A parte esquerda do cérebro precisa de lógica e ordem, até o ponto de que, se algo não fizer sentido, o habitual é que o cérebro invente uma explicação verossímil.

  4. O estado de ânimo delas não é mais variável que o deles.
    O que ocorre é que tanto uns como outras tendem a recordar melhor as mudanças do estado de ânimo das mulheres, pelo que as pessoas às quais se pede que recordem o grau de variabilidade de seu estado de ânimo ou do seu parceiro mencionam mais mudanças de humor nelas.

  5. O cérebro não é como um computador.
    Dado que se desenvolveu ao longo de milhões de anos através da seleção natural, conta com sistemas que surgiram com um propósito determinado e que posteriormente se adaptaram para outro, inclusive ainda que não funcionem perfeitamente. Portanto, não é a obra de um engenheiro.

  6. Os cegos não ouvem melhor.
    Não gozam de melhores condições que as pessoas que enxergam para identificar os sons, ainda que seja verdadeiro que têm uma melhor memória, especialmente para a linguagem. Também são mais capazes de localizar sons débeis. Ambas habilidades podem lhes ajudar a reconhecer melhor tudo aquilo que lhes rodeia.

  7. Escutar Mozart não deixa um bebê inteligente.
    Este mito surgiu de uma pesquisa realizada entre estudantes de ensino superior que detectou que essa atividade produzia um efeito limitado, que durava só meia hora. No entanto, aprender a tocar um instrumento musical associa-se com um incremento da capacidade para o raciocínio espacial.

  8. As vacinas não causam autismo.
    Em vários países, suprimir o componente das vacinas que se assegurava que causava autismo não teve nenhum efeito nos índices de diagnóstico do autismo. Pelo geral, o autismo é quase sempre causado por hereditariedade.

  9. As marcas faciais não guardam relação com inteligência.
    As circunvolução ou relevos estão mais relacionadas com o tamanho do cérebro, porque graças a essa disposição cabe mais cérebro num espaço mais reduzido. Nos cérebros maiores, a córtex contêm assim mesmo mais matéria branca, as fibras de associação que conectam regiões distantes do cérebro.

  10. 10. É falso que só utilizamos 10%. Nos Estados Unidos, esta asseveração apareceu pela primeira vez nos escritos de Dale Carneige, um autor de livros de auto-ajuda. Carneige citou erradamente uma consideração do psicólogo William James, que na realidade tinha afirmado que utilizamos mal uma fração do potencial do cérebro.

    O mito dos 10% é a falsa crença sobre o cérebro mais conhecida, pois apela a nosso desejo de melhorar. Algumas pesquisas descobriram que isto é o que pensa a maioria das pessoas dos Estados Unidos e do nosso país. Hoje em dia os cientistas sabem que a totalidade do cérebro é necessária para seu funcionamento normal, tal como demonstram as conseqüências dos derrames ou danos cerebrais. Inclusive o dano limitado a uma parte muito pequena do cérebro pode ser detectada pelos sintomas neurológicos.

Verdades:

  1. A força de vontade aumenta quando conseguimos algo.
    É como um músculo e pode ser treinada. Após terminar uma tarefa que requeira autocontrole, as pessoas já não precisam do mesmo grau de esforço para fazê-la novamente, ainda que uma e outra tarefa não sejam parecidas. Esta reserva comum de força de vontade vai se fortalecendo com a prática. Em conseqüência, a disciplina acrescenta a força de vontade.

  2. O exercício físico favorece o cérebro na velhice.
    Faz que o oxigênio e a glicose sigam fluindo quando a pessoa envelhece. Praticá-lo de forma regular melhora o funcionamento do cérebro nas pessoas mais idosas, que podem sofrer problemas de planejamento e de pensamento abstrato porque o córtex frontal se reduz com a idade.

  3. É capaz de sintonizar sons.
    Resulta complicado utilizar o celular num lugar barulhento. Tampar o outro ouvido com as mãos ou um dedo não dá resultado. Em lugar disso, é melhor tampar o microfone do aparelho para ouvir melhor. Este truque aproveita a capacidade do cérebro para separar os sinais que chegam de diferentes lugares.

  4. Permite mover pelo espaço, como um navegador.
    Um dos trabalhos mais árduos do cérebro é o que consegue fazer sem que nos demos conta.

    É relativamente fácil fazer que um computador aplique regras lógicas e efetue operações matemáticas, mas resulta difícil que avalie uma imagem visual e se desloque com facilidade pelo espaço, como fazemos os humanos automaticamente. Por exemplo, o cérebro humano pode distinguir objetos visualmente e identificar vozes numa festa, tarefas que são todo um desafio, ainda intransponível, para um computador.

  5. Reagimos antes de pensar.
    Com freqüência constatamos nossa resposta a um acontecimento só quando já começamos a reagir. Por exemplo, se for pedido a um grupo de pessoas normais que reajam a um estímulo visual, estas costumam indicar ter adquirido consciência do estímulo meio segundo após começar a reagir. Desta maneira, a consciência atua como uma espécie de intérprete que proporciona informação retrospectiva sobre nossas ações.

  6. Tomada de atalhos pode ser equivocada.
    O cérebro costuma buscar rapidamente uma resposta adequada, em lugar de empregar mais tempo para ter a resposta perfeita. Isto significa que às vezes trocamos os pés pelas mãos.

    Responda ao seguinte problema o mais rapidamente possível, sem fazer as operações matemáticas: uma raquete e uma bolinha custam juntas 1,10 reais. A raqueta custa um real a mais que a bolinha. Quanto custa a bolinhas? Se respondeu rápido possivelmente você disse 10 centavos, mas a resposta correta é 5 centavos.

  7. Nem sempre interpretamos os fatos com lógica.
    Durante a maior parte do tempo, o cérebro interpreta aquilo que presenciamos de acordo com umas regras gerais que são fáceis de aplicar, mas que nem sempre guardam uma lógica. Requer muitíssimo esforço aplicar uma análise pausada e meticulosa, que é apropriada para realizar cálculos matemáticos ou resolver quebra-cabeças.

  8. O futuro nunca é visto de forma realista.
    Quando pensamos em como será nossa situação no futuro, nossos cérebros imaginam detalhes pouco realistas e deixam de lado outros que podem ser importantes. Em conseqüência disso, inclinamos por igual a passar por alto tanto as dificuldades como as oportunidades quando planejamos nossas vidas.

  9. Só consome o equivalente a duas bananas.
    Todo o consumo de energia pode ser medir com a mesma unidade de potência: o watt. O cérebro só emprega 12 watts, menos que a lâmpada de sua geladeira, mas pode gastar bem mais. A cada dia o cérebro utiliza a quantidade de energia que contêm duas bananas grandes. Não é muita potência, mas é uma grande proporção do orçamento energético de todo o corpo, que é de aproximadamente 70 watts.

  10. Dispõe de uma espécie de relógio.
    Quando realizamos vôos de longa distância para o leste ou o oeste, este relógio demora algum tempo em se ajustar. Permanecer acordado não ajusta este relógio, mas a luz sim muda sua hora. A luz fixa o relógio interno segundo a hora que o cérebro calcula. Pelo geral, quando é pela tarde no lugar do destino de uma viagem, a luz ajusta o relógio cerebral de forma correta, independentemente de que se tenha viajado para o leste ou para o oeste. Não obstante, não é bom viajar demais.

    Atravessar muitas zonas horárias mais de duas vezes ao mês é perigoso para a saúde, pois pode ocasionar dano cerebral e problemas de memória, provavelmente devido aos hormônios do estresse.

  11. A cada vez que recordamos algo, apagamos e recebemos a lembrança.
    É isso que permite que, ao final, recordemos coisas que na realidade não ocorreram jamais. Isso explica por que é freqüente que diferentes pessoas recordem os mesmos fatos de maneira diferente.

  12. A tensão crônica faz perder a memória.
    Uma excitação emocional incrementa a acumulação de detalhes importantes na memória de longo prazo. A tensão nervosa ativa a secreção de hormônios que atuam sobre o hipocampo e a amídala para reforçar a memória. A tensão crônica, pelo contrário, pode prejudicar o hipocampo e dar lugar a perdas permanentes de memória.

  13. O picante não dá calor ainda que faça suar.
    O receptor gustativo que identifica a capsicina, o composto químico ativo da pimenta, detecta também as temperaturas elevadas. Esta é a razão pela qual os alimentos fortemente apimentados causem o suor. As terminações nervosas sensíveis à capsicina estão repartidas por todo o corpo, como qualquer pode comprovar simplesmente tocando os olhos com os dedos após ter picado uma malagueta.

  14. Espirrar depois de um orgasmo é uma "falha" cerebral.
    Acontece freqüentemente com muitos homens. A razão é que as ramificações cerebrais são uma malha intrincadíssima que pode levar a que estranhos cruzamentos de cabos produzam movimentos com diferentes reflexos. Outro efeito produzido pelo mesmo: uma de cada quatro pessoas espirra quando olha uma luz resplandecente como, por exemplo, o Sol.

  15. Ninguém pode fazer cócegas em si mesmo.
    A razão é que o próprio cérebro prediz o que cada um vai sentir em resposta a suas próprias ações. Pode-se aproveitar esta faculdade do cérebro para defender-se de quem tente lhe fazer cócegas: simples, coloque sua mão em cima da mão da outra pessoa.

  16. Os bebês desligam as conexões neurais que não utilizam.
    Em geral, eliminam as que não usam o suficiente durante os dois primeiros anos de vida. Se o cérebro fosse um roseiral, as experiências do mundo exterior seriam a técnica que utilizariam para podar, não o fertilizante.

  17. Quem sofre abusos durante a infância é mais vulnerável ao estresse.
    Foi descoberto em experimentos com ratos que uma boa criação torna os adultas menos vulneráveis ao estresse ao se reduzir a intensidade das respostas de seu sistema de hormônios do estresse. Uma má criação aumenta o risco de depressão, ansiedade, obesidade, diabetes, hipertensão e doenças cardíacas.

  18. Sim, se aprende melhor um idioma na infância.
    As crianças reconhecem os sons de todos os idiomas, mas, a partir dos dois anos de idade, seus cérebros começam a encontrar dificuldades para diferenciar sons que não são habituais em sua língua materna.

  19. Os adolescentes estão "equipados" para comportar-se bem.
    Durante a adolescência, aprecia-se nos indivíduos uma melhora no planejamento e organização do comportamento, na inibição das reações, na capacidade de atenção, na memória e no autocontrole emocional. Provavelmente é devido a isso que as conexões no córtex cerebral pré-frontal, que são importantes na regulação do comportamento, seguem desenvolvendo até os 20 anos de idade.

  20. O envelhecimento faz-nos mais felizes.
    À medida que as pessoas envelhecem aprecia-se uma melhora na superação dos pensamentos negativos e no controle das emoções. Isto pode explicar por que as pessoas idosas tendem a ser mais felizes que as jovens.

  21. Os videojogos melhoram o funcionamento cerebral.
    Estudantes do Ensino Superior que jogam regularmente este tipo de jogos são capazes de registrar mais objetos num estímulo visual breve que os que não jogam. Ademais, os que jogam reelaboram a informação mais rapidamente, reconhecem mais objetos de uma vez e podem mudar de tarefa com maior facilidade.

  22. Não memoriza a matéria da prova de uma vez só. O cérebro retém informação durante mais tempo se forem feitos descansos entre sucessivas tarefas de estudo. Duas sessões separadas podem facilitar que seja assimilado o dobro de conhecimentos que numa única sessão da mesma duração total.

  23. Escolher não é o seu forte.
    As pessoas tendem a sentir-se mais satisfeitas com as decisões que tomam quando têm que escolher entre poucas alternativas que quando têm muitas opções. Ter que fazer muitas comparações pode reduzir a sensação de satisfação porque leva a lamentar não ter escolhido as outras alternativas que desprezamos.

  24. A depressão moderada pode ser curada sem remédios.
    Se ao término do dia relacionarmos três coisas boas que tenham ocorrido e uma breve exposição das circunstâncias que propiciaram a cada uma delas, teremos um acréscimo da sensação de felicidade que pode extirpar os sintomas de depressão moderada num prazo de poucas semanas.

  25. O amor é uma droga.
    As regiões do cérebro que causam ao vício também reagem a estímulos positivos naturais como o amor. Estas regiões ajudam aos animais a estabelecer vínculos com seus iguais –o que pode explicar as razões de sua existência–, apesar dos danos colaterais causados por um vício.

  26. Os orgasmos nos deixam mais confiantes.
    A oxitocina, um hormônio que é liberada durante o orgasmo, faz com que aumente a confiança entre as pessoas nas relações sociais. Pessoas que receberam a oxitocina pulverizada por via nasal apresentaram mais que o dobro de probabilidades de emprestar dinheiro a outra pessoa que as quais não receberam o tratamento, o que dá a entender que a experimentação de orgasmos pode influir diretamente na tomada de decisões.

  27. Os irmãos mais novos têm mais probabilidades de serem homossexuais.
    De fato, ter um irmão maior é um fator conhecido que pode predizer melhor o homossexualismo. A presença de um feto masculino pode fazer que as mulheres grávidas produzam anticorpos contra algumas moléculas que determinam a orientação sexual. Em gravidezes posteriores o anticorpo poderia inibir esta molécula.

  28. O cérebro das mulheres não é pródigo em matemática.
    Em muitos países existe o tópico de que as garotas não são muito boas em matemática. As meninas têm pior rendimento nos exames se antes de fazê-lo for pedido que indiquem seu gênero. No entanto, obtêm um melhor resultado se antes do exame escutam uma conferência sobre mulheres famosas ou se recordam que são boas estudantes.

  29. Os homens e as mulheres tem visão espacial bem diferente.
    As mulheres não tem visão espacial, dependem mais de pontos de referência para navegar, e muitas costumam dar indicações do tipo de "vire à esquerda no terceiro semáforo e procure uma casa de cor verde piscina".

    Ao contrário os homens identificam a direção correta a partir de um mapa mental do espaço: "Siga para o leste um quilômetro e depois vire em direção norte". No entanto, as mulheres recordam o lugar onde estão guardados os objetos mais facilmente que os homens.

  30. Somos cada vez mais inteligentes.
    As pontuações médias nas provas de inteligência aumentaram entre três e oito pontos por década no século XX em muitos países industrializados. O fato não se deve à evolução senão à melhora das condições de vida das crianças economicamente mais desfavorecidas.

  31. Certos danos dos derrames cerebrais podem ser evitados.
    Entre os sintomas de um derrame cerebral figuram a impossibilidade repentina de mover um membro, ou de falar, ou também o intumescimento de uma parte considerável do corpo. O tratamento do derrame cerebral pode evitar danos em longo prazo, mas só se o paciente vai a um hospital num prazo de poucas horas.

  32. Os espelhismos não são uma lenda.
    Podem produzir visões como conseqüência de um transtorno no funcionamento do cérebro. Os montanhistas informam às vezes de ter visto a seu lado parceiros aos quais não conhecem, de ter observado uma luz emitida por eles mesmos ou por outros ou de ter sentido medo de maneira repentina. Tudo isso pode derivar da privação ou insuficiência de oxigênio nos lóbulos temporário e parietal do córtex cerebral.

  33. Muitos "possuídos" eram, em realidade, doentes cerebrais.
    Houve tempo que eram praticados exorcismos em pessoas cujo comportamento resultava estranho e inexplicável. Na atualidade sabe-se que muitas dessas pessoas padeciam de doenças neurológicas como, por exemplo, epilepsia ou esquizofrenia.

  34. Após a amputação de um membro, os pacientes podem sentir a presença de um "membro fantasma".
    A razão é que o cérebro ainda tem registrado um mapa do corpo e demora algum tempo em assimilar que não existe mais a representação do membro perdido.

  35. A dor reside no cérebro e pode ser controlada.
    A atividade cerebral determina totalmente a sensação de dor e sua intensidade. Os cientistas estão tentando empregar imagens do cérebro e técnicas de retro-alimentação para ensinar às pessoas a ativar, por sua própria conta, as zonas do cérebro que controlam a dor.

    Em uma experiência conseguiu-se que o cérebro de um experiente em meditação inibisse sua resposta a picada de uma agulha na sua bochecha. Este método poderia ser empregado para que os doentes de dor crônica reduzissem a sensação de mal-estar ativando voluntariamente o efeito placebo.

  36. A ciência trabalha em conseguir que os paralíticos movam seus membros.
    Os pesquisadores estão trabalhando no desenho de prótese de braços para ajudar a pacientes que sofrem de paralisia. Mediante uma monitoração da atividade do cérebro, os pesquisadores podem deduzir qual é o movimento que pretendem reproduzir e utilizar essa informação para guiar um braço artificial.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Tratamento para memoria

Extraído de: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe0202200805.htm

Descoberta acidental leva a tratamento para memória
Britânicos testam implante de eletrodo no cérebro

JEREMY LAURANCE
DO "INDEPENDENT"

Cientistas que realizaram uma cirurgia cerebral experimental em um homem de 50 anos tropeçaram com um mecanismo que pode revelar como a memória opera.

O avanço acidental ocorreu durante um experimento cujo propósito original era inibir o apetite de um homem obeso, empregando eletricidade. Eletrodos foram inseridos no cérebro do paciente e então ligados. Em lugar de perder seu apetite, o paciente viveu uma intensa experiência de "déjà vu". Ele se recordou, em detalhes, de uma cena ocorrida 30 anos antes. Outros testes revelaram que sua capacidade de aprender teve uma melhora dramática quando a corrente foi ligada, e seu cérebro, estimulado.

Agora cientistas estão aplicando a técnica no primeiro teste clínico do tratamento com doentes de Alzheimer, oferecendo a eles uma espécie de "marca-passo" cerebral. Três pessoas já foram submetidas ao tratamento, e os resultados iniciais são promissores, de acordo com Andrés Lozano, professor de neurocirurgia no Hospital Toronto Western, em Ontario, que chefia a pesquisa.

Lozano explicou: "Esta é a primeira vez em que se implantam no cérebro de uma pessoa eletrodos que comprovadamente melhoram a memória. Estamos estimulando a atividade do cérebro, aumentando sua sensibilidade em elevar o volume dos circuitos de memória. Qualquer evento que envolva os circuitos de memória terá maior probabilidade de ser guardado e retido."

A descoberta pegou Lozano e sua equipe "completamente de surpresa", disse o professor. Eles estavam operando o paciente, que pesava 190 quilos, para tratá-lo da obesidade, localizando o ponto no cérebro que controla o apetite. Todas as tentativas anteriores de reduzir seu consumo de alimentos tinham fracassado, e a cirurgia cerebral era o último recurso.

O tratamento fracassou como combate à obesidade. Mas, enquanto os pesquisadores identificavam potenciais pontos de supressão do apetite localizados no hipotálamo, a parte do cérebro associada à fome, o homem de repente começou a dizer que sua memória estava retornando com grande força.

"Ele relatou a experiência de estar num parque com amigos de sua época de 20 anos de idade, e, quando a intensidade dos estímulos aumentou, os detalhes se tornaram mais nítidos. Ele reconheceu sua namorada da época. A cena era colorida", escreveram os cientistas em estudo na revista "Annals of Neurology", na quarta-feira.

O paciente também foi testado para sua capacidade de memorizar listas de objetos em pares. Após três semanas de estímulo contínuo do hipotálamo, seu desempenho em dois testes de aprendizado teve uma melhora significativa. Ele também memorizava melhor uma lista de objetos não relacionados em pares quando os eletrodos estavam ligados.

"O desempenho dele apresentou melhora dramática", disse Lozano. "Quando intensificamos a corrente, primeiro estimulamos seus circuitos de memória e melhoramos sua capacidade de aprendizado. À medida que aumentávamos a intensidade da corrente, ouvíamos recordações espontâneas de acontecimentos distintos. A determinada intensidade, ele retornava à cena no parque."


Fora de lugar

A descoberta surpreendeu os cientistas, já que o hipotálamo não costuma ser identificado como sede da memória. Os contatos que mais prontamente geravam as memórias estavam situados perto de uma estrutura chamada fórnix, dentro do chamado sistema límbico, envolvido em memória e emoção.

Lozano já tinha experiência com estimulação cerebral com eletrodos, tendo realizado 400 cirurgias com doentes de Parkinson, e está tentando adaptar a técnica para tratar depressão.

O uso dos eletrodos contra o Alzheimer está na fase de testes de segurança. Três pacientes já receberam os implantes cerebrais. Os eletrodos são ligados por um cabo que desce até uma bateria costurada sob a pele do peito. O "marca-passo" para a memória emite uma corrente elétrica tênue e constante que estimula o cérebro, mas não é percebida pelo paciente.

Outros cientistas elogiaram a descoberta. "Se eles tivessem proposto inserir um eletrodo no hipotálamo para modificar o mal de Alzheimer, eu teria dito "por que começar por ali?" Mas, se fizeram uma descoberta acidental feliz, então isso é ótimo", diz Andrea Malizia, farmacóloga da Universidade de Bristol.


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Tradução de Clara Allain