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terça-feira, 14 de outubro de 2008

Preconceito

(Historiador do cotidiano)

Olá queridos leitores. Fazia algum tempo que eu não postava nada autoral aqui, espero que tenham sentido saudades. Tive alguns imprevistos de força maior.

O texto de hoje é sobre preconceito. Nós costumamos dizer que educação vem de berço. Vem. E preconceito também! É impressionante como as pessoas são preconceituosas sem perceber, porque são influenciadas - SIM, INFLUENCIDADAS! - desde cedinho pelos pais, avós, tios e outros tipos de familiares.

Outro dia fui visitar um amigo. Ele mora em edifício e, como vocês já devem ter percebido, elevador é lugar de se ouvir verdadeiras pérolas. Esta eu ouvi quando um menino - com entre 3 a 4 anos de idade - saia do elevador e falava para a mãe dele algo mais ou menos assim:

"Mãe, sabe o que eu descobri? Se um bebê nasce cor-de-pele, ele vai ser cor-de-pele; e se ele nasce marrom, ele vai ser marrom!"

Eu parei. Juro. Não acreditei no que eu tinha ouvido! Aquele pedaço de gente com preconceito!!! Era demais. Eu não quis me meter na conversa nem mostrar para os pais da criança o quão errado eles estavam. Que preconceito exacerbado! É indignante e revoltante!

O que? Você não percebeu preconceito nessa frase do garoto? Tudo bem, eu explico...

O menino acha que se o bebê nasce cor-de-pele, ele vai ser cor-de-pele. Tudo bem, lógica perfeita, além de observação da natureza: costumamos carregar por toda a vida a cor que temos ao nascer (a tonalidade até muda um pouco).

Mas o que é patente visível de preconceito foi quando o garoto falou que "se nascer marrom". Ah é? Então o garoto considerou que a outra cor-de-pele que ele se referia (provavelmente a cor dele mesmo - "branco leite") era a cor normal, e que a cor "marrom" para a pele não era normal, por isso não merecia ser chamada também de cor-de-pele.

Ou seja, para aquele singelo garoto em sua mente já está claro que a única cor digna (digna no conceito dele) de ser chamada de "cor-de-pele" é a branca. Enquanto que a marrom não é cor de pele, por isso não recebeu tal designação.

Preconceito que vem de berço! Céus! E dizem que o Brasil tem futuro, com nossas crianças sendo educadas dessa forma...

É um absurdo!

sábado, 15 de março de 2008

Discriminação

Os verdadeiros discriminados


Ives Gandra da Silva Martins (*)


Hoje, tenho eu a impressão de que o "cidadão comum e branco" é agressivamente discriminado pelas autoridades e pela legislação infraconstitucional, a favor de outros cidadãos, desde que sejam índios, afrodescendentes, homossexuais ou se auto-declarem pertencentes a minorias submetidas a possíveis preconceitos.

Assim é que se um branco, um índio ou um afrodescendente tiverem a mesma nota em um vestibular, pouco acima da linha de corte para ingresso nas Universidades e as vagas forem limitadas, o branco será excluído, de imediato, a favor de um deles.

Em igualdade de condições, o branco é um cidadão inferior e deve ser discriminado, apesar da Lei Maior.

Os índios, que pela Constituição (art. 231) só deveriam ter direito às terras que ocupassem em 5 de outubro de 1988, por lei infraconstitucional passaram a ter direito a terras que ocuparam no passado. Menos de meio milhão de índios brasileiros - não contando os argentinos, bolivianos, paraguaios, uruguaios que pretendem ser beneficiados também - passaram a ser donos de 15% do território nacional, enquanto os outros 183 milhões de habitantes dispõem apenas de 85% dele. Nesta exegese equivocada da Lei Suprema, todos os brasileiros não índios foram discriminados.

Aos "quilombolas", que deveriam ser apenas os descendentes dos participantes de quilombos, e não os afrodescendentes, em geral, que vivem em torno daquelas antigas comunidades, tem sido destinada, também, parcela de território consideravelmente maior do que a Constituição permite (art. 68 ADCT), em clara discriminação ao cidadão que não se enquadra nesse conceito.

Os homossexuais obtiveram, do Presidente Lula e da Ministra Dilma Roussef, o direito de ter um congresso financiado por dinheiro público, para realçar as suas tendências, algo que um cidadão comum jamais conseguiria.

Os invasores de terras, que violentam, diariamente, a Constituição, vão passar a ter aposentadoria, num reconhecimento explícito de que o governo considera, mais que legítima, meritória a conduta consistente em agredir o direito. Trata-se de clara discriminação em relação ao cidadão comum, desempregado, que não tem este "privilégio", porque cumpre a lei.

Desertores e assassinos, que, no passado, participaram da guerrilha, garantem a seus descendentes polpudas indenizações, pagas pelos contribuintes brasileiros. Está, hoje, em torno de 4 bilhões de reais o que é retirado dos pagadores de tributos para "ressarcir" àqueles que resolveram pegar em armas contra o governo militar ou se disseram perseguidos. E são tantas as discriminações, que é de se perguntar: de que vale o inciso IV do art. 3º da Lei Suprema?

Como modesto advogado, cidadão comum e branco, sinto-me discriminado e cada vez com menos espaço, nesta terra de castas e privilégios.

* Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie e UNIFMU e da Escola de Comando e Estado do Exército e presidente do Conselho de Estudos Jurídicos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo.

domingo, 5 de agosto de 2007

Debate: toda mulher quer ser puta?

(Historiador do cotidiano)


Existe uma coisa fascinante na comunicação humana, chamada "orkut". Sério mesmo, apesar de todos os males relacionados a ele, é um espaço pseudo-democrático de debates.

Uma comunidade que eu gosto muito se chama "Filosofia para não-filósofos", que você pode entrar através desse link:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=64968

Uma coisa que eu realmente adoro da comunidade são os debates desprovidos de preconceitos [na maioria das vezes] que nos levam à reflexões não antes plausíveis por estarmos sempre amarrados demais ao nosso próprio mundo umbigal.

Particularmente chamo atenção a um tópico criado pela "prof. Carla" (inclusive no perfil dela tem um vídeo muito interessante), o debate "Toda mulher quer ser puta", que pode ser acessado neste link:
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=64968&tid=2547421931638903808&start=1

Na abertura do debate, a Carla dá a entender que "puta" que ela se refere é a mulher livre de preconceitos sociais (não é aquela mulher que vende o próprio corpo). Vamos desprezar algumas respostas dos homens e pegar respostas das mulheres para analisar, afinal elas que estão diretamente no cerne do debate.

Primeiro vem uma Suely (mulher mais velha, já com faculdade concluída e bem vivida) afirmar que "toda mulher é uma puta a não ser as que não pretendem ter um homem"; mais adiante a Paula (adolescente de colégio, que não se decidiu ainda sequer em qual faculdade vai entrar) reclamar da generalização; a Rose desabafa que "gostaria de ter vários homens em um homem só" (e não seria isso que nós homens também esperamos das mulheres?); a Janaína começa com uma conceituação aparentemente preconceituosa, mas deixa claro que toda mulher quer ter liberdade dentro de quatro paredes, ser uma "mulher inteira, mulher de verdade"; a Nany demonstra uma conceituação totalmente preconceituosa ao demonstrar que não conseguiu compreender os argumentos de suas antecessoras e de abordar o tema da igualdade feminina que NÃO é o que está em debate (e sobre isso tenho um sério questionamento: todas as mulheres querem ter os mesmos direitos que os homens, tudo bem, eu concordo; mas apesar de assumir os mesmos direitos, elas não querem assumir as mesmas responsabilidades. Isso já é contraditório e depreciativo)...

Mas o argumento que mais chamou a minha atenção foi o da Suely o qual transcrevo na íntegra:
"Qual a diferença da mulher que...
Troca o corpo por dinheiro para uma mulher que troca o corpo por um casamento, a posição social que esse casamento vai dar, a certeza de um investimento numa pensão caso haja uma separação e outras formas de prostituição "legalizadas"?

Quase nenhuma não é?
Mas como não posso generalizar tenho que analisar outras formas de como a mulher quer ser puta que não sejam essas formas "legalizadas", eu entendi que a dona do tópico, quando disse que toda mulher quer ser puta, estava se referindo à mulher que quer ser a amante completa e ideal para o seu homem fazendo inclusive coisas que muitos homens casados têm que pagar para uma prostituta fazer porque suas esposas puritanas, "as prostitutas legalizadas" acham indecente fazer, como por exemplo, sexo oral, sexo anal, passar leite condensado no pênis do marido e lamber todinho, 69 e outras sacanagens que todos os homens gostam mas as senhoras decentes se recusam a aceitar porque são "coisas de putas"."

Choca um pouco a posição da Suely, não concordam? Eu concordo. Mas eu também concordo 100% com ela.

O que importa aqui, mais até que o debate sobre a liberdade da mulher, é a liberdade do pensamento. As mulheres costumam se auto-engaiolarem em idéias pre-concebidas anteriormente.

Há cerca de 90 anos, uma jovem chamada Mary Phelps Jacobs inventou o sutiã, que nasceu como gesto de rebeldia contra os espartilhos. Nesse mesmo intuito de quebra de paradigmas, na década de 60 as mulheres queimaram sutiãs em praça pública.

E você, minha querida leitora, por que continua com seu sutiã psico-emocional?

Na minha memória ressoa uma frase que ouvi há alguns anos... "mente é igual a paraquedas: só funciona aberta".

E você, minha querida leitora, já queimou seu sutiã hoje?

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Homens x mulheres

(Historiador do cotidiano)

Artigo feito sob encomenda: uma (linda) mulher me escreveu... elogiou meu blog (obrigado, eu me esforço para ser autêntico. É recompensador saber que me estilo agrada às pessoas), e me pediu que escrevesse sobre a diferença entre homens e mulheres.

Poderíamos começar pelo básico: nós podemos fazer xixi em pé e elas não, já que nós é que somos os possuidores das torneirinhas! (rs rs rs) Mas seria quase irresponsável de minha parte restringir as diferenças à aspectos fisiológicos. Afinal, a sociedade é complexa e permite que mulheres chorem e homens se embriaguem (os inversos sempre são constrangedores, perante nossos costumes / cultura).

Então o problema da seleção de tema para o artigo não há: já está definido que será sobre a eterna diferença entre homens e mulheres. Caímos então no efetivo primeiro problema: qual a limitação do tema? Devo restringir o assunto à meros aspectos fisiológicos?

Nossos órgãos reprodutores são diferentes (sem comentários); o semblante é diferente: o nosso é mais firme e largo enquanto o delas é mais esguio; o corpo é diferente: proporcionalmente falando, nossas pernas são maiores enquanto elas têm o tronco maior; elas possuem seios para poder alimentar corretamente os descendentes; e... só! A esse nível existem pouquíssimas diferenças. Pode até ser que no nível de moléculas e códigos de DNA existam infinitas não-semelhanças diretas, mas já será motivo para outro artigo.

Então poderemos nos prender a aspectos psico-sociais. Vamos partir do básico: quando somos gerados e pelos ecos latentes do som inaudível que brinda nossos pais com a forma a qual deles puxaremos (quando o ultrassom indica se é menino ou menina), começa - se já não havia antes - as conjecturas sobre nossos futuros nomes.


Crescemos e somos educados - ou treinados, ou doutrinados, depende do ponto de vista - de formas diferentes: meninos vão para quartos de cor azul e brincam com bonecos e tanques, enfim, coisas que remetam à guerra, à independência e ao individualismo. As meninas são levadas para quartos de cor rosa, brincam de bonecas e casinha, constróem laços familiares fictícios e brincam em grupo, fortalecendo a dependência emocional mútua.

Não que isso seja certo ou errado, essa separação por sexo.

Vamos espelhar nosso comportamento no dos animais: os machos sempre andam solitários ou com muitas fêmeas ao redor. O macho é o caçador, o guerreiro! Já as fêmeas andam ao redor dele, andam de bando para defesa mútua, e sempre com um macho por perto. Por mais que cacem também, o macho que é - em essência - o provedor. Então por analogia simples com a mãe natureza, as mulheres (as não tão esclarecidas ou com poucos estudos) consideram que os homens são os provedores, enquanto elas seriam apenas donas-de-casa, ou algo do gênero.

NÃO ! As mulheres são tão - ou mais - inteligentes quanto nós, meninos, e merecem uma posição de destaque na sociedade! Eu não consigo aceitar mulheres que dependem emocionalmente dos outros, ou de qualquer outra forma excessivamente. Elas deveriam ser tão independentes quanto nós! Por que não são? Porque INFELIZMENTE foram doutrinadas por uma sociedade machista que é essa que vivemos, a qual não respeita a mulher e à envia para uma posição social secundária. EU CONSIDERO ERRADO MENOSPREZAR AS MULHERES !


Então essencialmente o que encontramos de diferenças entre homens e mulheres é como eles são vistos e - principalmente - como eles próprios se vêem perante a sociedade.


Mulheres fracas emocionalmente não fazem as coisas sozinhas, têm que andar de bando com mais umas dez, e são dependentes de terem homens que lhe dêem segurança, e; as mulheres fortes são totalmente independentes, trabalham, estudam, não necessitam de nenhum tipo de muleta emocional. Gosto - e admiro - mais o segundo tipo (as mulheres que não se protegem sob redomas de preconceitos para justificar suas covardias perante o mundo) do que o primeiro. As mulheres do primeiro grupo (as inseguras) possuem mentalidades calcadas no preconceito machista que ainda impera em nossa cultura. Já as mulheres do segundo grupo (as independentes) habitam uma posição de destaque, já que são auto-suficientes e possuem mentalidades abertas e progressistas.


Se as mulheres não se amarem, quem vai amá-las? Ninguém! O mesmo vale para os homens.

Então, se alguém me perguntar qual a principal diferença entre homens e mulheres, responderei imediatamente: "como cada um encara a vida"!

Abraços a todos(as) vocês queridos(as) leitores(as)! E desejo-lhes uma excelente semana!

Adoro a visita de cada um de vós!!

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Seja você mesmo!

(Historiador do cotidiano)Gene Kelly cantando na chuva... ah que delícia um bom banho de chuva, cantando e dançando!

Não importa o que aconteça, seja você mesmo(a) !

Óbvio que toda ação gera uma reação, uma conseqüência. Mas o que seria das nossas vidas se não ousássemos? Se não tentássemos com todas as nossas forças seguirmos os nossos próprios caminhos?

A vida é difícil. É dura. E muitas e muitas vezes é entediantemente chata. As rotinas cotidianas são de estragar o humor de qualquer um, por mais metódico e doutrinado que seja.

O jornalismo propicia um pouco de mudança: a cada novo dia você sai para fazer uma reportagem diferente, sobre um assunto diferente, com pessoas diferentes; mas mesmo assim é uma rotina ir todo dia para a redação naquele determinado horário, seguir sempre os mesmos padrões, e assim por diante.

Além das rotinas - forjadas na necessidade de convívio social (que implica na necessidade de capital circulando e pessoas ocupadas) - nós nos deparamos com outra barreira que nos é imposta: uma barreira invisível!

Essa barreira é a dos nossos conceitos e preconceitos. Lembro-me de um episódio - quase da época que Adão era menino - onde o mestre dos magos orientava ao grupo dos sete que deveriam procurar um preso sem prisão. Quando encontraram um sujeito desfigurado no meio da floresta, Presto imediatamente entendeu que aquilo era uma prisão: o sujeito não estava nas condições convencionais e assim estava impossibilitado de algumas coisas.

Mas as prisões invisíveis não são apenas físicas - no caso de aparências (para quem se importa com elas) ou no caso de, por exemplo, gordura (para quem quer ser atleta) - mas sim são psicológicas: as pessoas impõe a si mesmas limites que não ultrapassam.

Tudo bem, concordo, às vezes os limites são impostos pela sociedade - seja no trabalho, na religião (principalmente) ou mesmo com seu grupo de amigos - pois cada qual exige que o outro siga determinadas regras de conduta, a maior parte delas não-escritas mas devidamente cobradas.

As pessoas ficam tão doutrinadas a se imporem limites, que começam a impor limites - se policiarem - sozinhas, sem pressão externa!

É um absurdo.

Em são consciência você amputaria uma perna sua? Não! Então por que você amputa suas idéias e ideais?

Experimentem o seguinte: peguem uma pulga e bote em um recipiente com tampa. A pulga vai pular e bater com a cabeça na tampa até que, após algumas tentativas, vai desistir de pular tão alto e saltará mais baixo. Pronto, a pulga foi doutrinada! Agora você pode tirar a tampa que a pulga não mais pulará tão alto. À pulga foi imposta uma barreira, que agora torna-se invisível! A pulga aprendeu (foi doutrinada) a pular baixo e agora não mais ousará.

O mesmo ocorre com elefantes, que são desde pequenos amarrados a um troncozinho de árvore e, depois de grandes, você bota uma estaca no chão e eles não saem. Uma estaca que sequer seguraria um cachorro! Por que? Porque o elefante foi doutrinado!

Agora eu pergunto para você: quais são suas barreiras invisíveis? E por que ainda não tentou quebrá-las?