Comentário que escrevi em resposta ao artigo "A TV destrói relacionamentos"
Olá,
Enquanto jornalista, lamento o mal uso da televisão... mas lamento mais ainda não podermos simplesmente jogar fora os aparelhos devido à importância que eles têm.
A televisão ela é quase tão democrática quanto o rádio: você não precisa saber ler, ou escrever, para ver aquele repórter A ou B lhe informar que agora você tem direitos X ou Y.
Ela penetra tanto na nossa intimidade, que eu mesmo já vi pessoas responderem "boa noite" aos âncoras dos telejornais.
É uma realidade difícil. Vejamos a televisão enquanto entretenimento... a questão lúdica de sobrevivermos ao dia-a-dia: nem todo mundo tem um cotidiano do qual se orgulha plenamente, então a televisão passa a ser uma válvula de escape.
É muito complicado tudo isso. Ela pode ser geradora de discórida - enquanto não há o diálogo nem o crescimento social - mas pode também ser geradora de funções sociais aproximantes.
Existem alguns teóricos das ciências da comunicação (ou "comunicólogos") que estudaram a comunicação de massa e afirmam até que toda ela deveria deixar de existir.
Eu tenho secretas esperanças que, com a inserção da televisão digital, possamos ter um controle maior sobre o controle remoto. Hoje em dia as pessoas se agendam para assistir televisão (ver teoria do agendamento para maiores detalhes). No futuro espero que consigamos controlar melhor nosso tempo: se tem um programa televisivo imperdível (algo relacionado à saúde, por exemplo) e não vai ter ninguém em casa para assistir, você programa (e grava) e assiste depois com a família reunida. Já em contrapartida se for algo de interesse profissional que só importa a você, basta gravar e assistir num dia/hora que não atrapalhe as atividades familiares.
Mas não apenas esses problemas diretos, a televisão (e todo meio de comunicação de massa) costuma desenvolver técnicas incrivelmente eficazes de mensagens subliminares, mas aí já é material para outro artigo.
Jornalistas não são meros investigadores da realidade que passam esse conteúdo apenas em forma de notícias e reportagens para a população. O jornalista caracteriza-se também pela imortalização - nas páginas do seu veículo midiático - como um historiador. Mas não um historiador de grandes eventos da humanidade e sim, essencialmente, um historiador do cotidiano. Seja, então, muito bem vindo, meu caro leitor!
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sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Televisão
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sábado, 30 de agosto de 2008
Coisas boas do passado
(Historiador do cotidiano)
Olá pessoas, como vocês sabem já não sou tão novo, mas também não sou um balzaquiano ainda. Posso dizer que vi e vivi muitas coisas bacanas dos anos 80 e 90. Os anos 80 parece terem ficado perdidos no tempo e no espaço, pois havia um certo clima de... de... ah, só quem viveu os anos 80 sabe ao que me refiro.
De vez em quando bate uma saudade e eu dou uma busca na web para ver se encontro algo da minha época de infância e adolescência. O pessoal mais moderno sempre fez piada por causa de um programa televisivo que eu lembrava: "Lupulimplinclapatopo", programa com Lucinha Lins e Cláudio Tovar na Rede Manchete. Resolvi buscar informações e encontrei um site bem interessante: http://aslistas.vilabol.uol.com.br/tvcinema/inesqueciveis.htm
Na área de "Televisão", grupo "Seriados inesquecíveis" encontrei algumas pérolas. Vou colar aqui a lista de lá, só para os mais novos terem idéia:
OS 15 MAIS (segundo o site):
Demais:
Olá pessoas, como vocês sabem já não sou tão novo, mas também não sou um balzaquiano ainda. Posso dizer que vi e vivi muitas coisas bacanas dos anos 80 e 90. Os anos 80 parece terem ficado perdidos no tempo e no espaço, pois havia um certo clima de... de... ah, só quem viveu os anos 80 sabe ao que me refiro.
De vez em quando bate uma saudade e eu dou uma busca na web para ver se encontro algo da minha época de infância e adolescência. O pessoal mais moderno sempre fez piada por causa de um programa televisivo que eu lembrava: "Lupulimplinclapatopo", programa com Lucinha Lins e Cláudio Tovar na Rede Manchete. Resolvi buscar informações e encontrei um site bem interessante: http://aslistas.vilabol.uol.com.br/tvcinema/inesqueciveis.htm
Na área de "Televisão", grupo "Seriados inesquecíveis" encontrei algumas pérolas. Vou colar aqui a lista de lá, só para os mais novos terem idéia:
OS 15 MAIS (segundo o site):
- Alô, Crysthyna!
- Armação Ilimitada
- Clube Irmão Caminhoneiro Schell
- Esquadrão Classe A
- Glub Glub
- Lionman
- Miami Vice
- Na Mira do Tira
- Nações Unidas (competição entre imigrantes, com o Gugu)
- Profissão: Perigo (McGiver)
- Programa do Bozo
- Selvagens Inocentes (novela gaúcha)
- Spectroman
- Super-Máquina
- Super Vicky
Demais:
- 190 Urgente
- A estrela Perdida
- A Feiticeira
- A Gata e o Rato
- A Noviça Voadora
- A Turma do Balão Mágico
- A Super Moto
- A Turma do Kiko (seriado próprio do Kiko na Bandeirantes)
- Acredite Se Quiser
- Agente 86
- Agente Fantasma
- Águia de Fogo
- Alf, o ETeimoso
- Alô, Crysthyna!
- Anjos da Lei
- Anos Incríveis/Wonder Years
- Aqui e Agora
- Armação Ilimitada
- As Panteras (Charlie's Angels)
- Balança Mas Não Cai
- Bananas de Pijamas
- Barrados no Baile
- Batman (anos 70)
- Baywatch/SOS Malibu
- Blackman Rider
- Boa Noite Cinderela (com Sílvio Santos)
- Buck Rogers
- Caras e Caretas
- Carro Comando
- Caso Especial
- Cassino do Chacrinha
- Castelo Rá-Tim-Bum
- Changeman
- Chico Anysio Show
- Chips
- Cidade x Cidade
- Clube da Criança (com a Xuxa na Manchete)
- Clube da Tia Fernanda (primeiro programa infantil da rede Globo)
- Clube Irmão Caminhoneiro Schell
- Contos da Cripta
- Coquetel (com Mieli)
- Cybercops
- Doremifasolasimoni
- Doris Para Maiores
- Elo Perdido
- Escolinha do Professor Raimundo
- Esquadrão Classe A
- Eureka
- Faço Humor, Não Faça Guerra
- Família Adams
- Família Dinossauros
- Fantasia (SBT)
- Flashman
- Flipper
- Galáctica
- Garotas do Programa
- Globo de Ouro
- Glub Glub
- Gogo 5
- Guaíba Criança
- Hércules
- Highlander
- Ilha da Fantasia
- Isto É Incrível (quadro do Programa Sílvio Santos)
- Jaspion
- Jeannie é Um Gênio
- Jiban
- Jiraya
- Jon Sable - Freelance
- Justiça Cega
- Lassie
- Lionman
- Louis e Clark
- Lupulimplinclapatopo (programa com Lucinha Lins e Cláudio Tovar na Rede Manchete)
- M.A.N.T.I.S.
- Machine Man
- Manimal
- Magnum
- Mask Man
- Melrose Place
- Miami Vice
- Milk Shake
- Minha Vida de Cão
- Missão Resgate
- Moto Laser
- Na Mira do Tira
- Nacional Kid
- Nações Unidas (competição entre imigrantes, com o Gugu)
- Namoro na TV
- Nikita
- Noviça Rebelde
- O Homen da Máfia
- O Homem de 6 Milhões de Dólares
- O Incrível Hulk
- O Mundo de Beakman
- O Planeta dos Homens
- O Poderoso Benson
- Os Gatões (The Duques of Hazard)
- Passa ou Repassa
- Patati-patatá
- Patrine
- Perdidos no Espaço
- Pesca e Cia.
- Planeta dos Macacos
- Power Rangers
- Primo Cruzado
- Profissão: Perigo (McGiver)
- Programa do Bozo
- Programa do Tio Tony (passava Guaíba e contava com a presença do Palhaço Tampinha)
- Programa Legal (com Regina Casé)
- Programa Márcia
- Raízes
- Rá-Tim-Bum
- Rim-tim-tim
- Robocop
- Robô Gigante
- Roletrando
- Selvagens Inocentes (novela gaúcha)
- Sexta Sexy (a alegria da gurizada)
- Shazam
- Sítio do Pica-Pau Amarelo
- Spectroman
- Star Trek
- Super Benson
- Super Catch
- Super Gatas
- Super-Máquina
- Super Vicky
- Swat
- Tele-Catch Montilla (patrocínio do rum Montilla)
- Teletubbies
- Terra de Gigantes
- Texas, Ranger
- The Flash
- Thunderbirds
- Thunderbolts
- Thunder: Missão no Mar
- Toppo Giggio
- Troopers
- Trovão Azul
- Túnel do Tempo
- Tutti-Frutti
- TV Colosso
- TV Pirata
- Ultraman
- Um Amor de Família (Married With Children)
- Uni-Duni-Tê
- Vigilante Rodoviário
- Vila Sésamo
- Viper
- Viva o Gordo
- Xena, a Princesa Guerreira
- X-Tudo
- Zybem Bom
- Zorro
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domingo, 25 de novembro de 2007
Frase do dia
"Televisão é uma dose diária de um medicamento insuportável e insubstituível, mistura de elixir e droga, que provoca reações variadas no paciente, da náusea ao vício e à paixão"
(Décio Pignatari)
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quinta-feira, 17 de maio de 2007
Crítica da mídia: 10 impasses
(Historiador do cotidiano)
Análise do artigo “dez impasses para uma efetiva crítica da mídia no Brasil” foi apresentado pelo então doutorando Rogério Christofoletti no Intercom 2003, em Belo Horizonte. O original pode ser acessado através deste link:
http://reposcom.portcom.intercom.org.br/bitstream/1904/4395/1/NP2CHRISTOFOLETTI.pdf
A peça trata sobre dez pontos considerados fundamentais que impedem um progresso ético das mídias brasileiras (apesar de, aparentemente, não ser um quadro isolado ao Brasil).
Como abertura, o autor cita Ciro Marcondes Filho: “Uma sociedade sem crítica é uma sociedade morta”.
O jornalista começa citando o caso do suicídio de um policial militar de São Paulo, transmitido ao vivo pela Rede Record (sim, aquela mesma de evangélicos, que abordou a espetacularização do sofrimento humano ao limite).
Dos dez impasses, o primeiro citado é a “concentração e oligopólio” dos veículos de comunicação. Ora, no Brasil cerca de sete grupos controlem mais de 80% do que é visto, ouvido e lido pelos brasileiros. É uma situação crítica pois demonstra uma mídia presa à poucas opiniões, sem poder fugir das linhas editoriais impostas pelos pagadores de salários gordos. Como demonstrativo, o autor cita que no Brasil existiam em 2003 cerca de 41,1 milhões de domicílios com aparelhos de televisão, o que supera por larga margem o número de domicílios com refrigeradores.
O segundo impasse é a “propriedade cruzada e domínio de conteúdo”, que aborda a questão que uma família (ou grupo) pode ser proprietária de diversos veículos de comunicação. Ou seja: quem tem uma concessão de televisão, tem também uma de rádio, tem um jornal impresso, um portal de notícias, e assim por diante. Então não são produzidas informações novas, pelo contrário, os brasileiros são apenas bombardeados com a repetição de conteúdos para que essa massificação faça com que ele aceite sem questionar.
Impasse terceiro, o “coronelismo eletrônico”, é - para o autor - um sério agravante pois ele explica que as concessões de televisão e rádio (sim, você precisa de uma concessão federal para ter algum dos dois veículos) são, em sua maioria, fornecidas apenas a políticos. Assim, nada mais seria que a extensão da influência do curral eleitoral desses políticos para os meios eletrônicos de divulgação de notícias de interesses dos políticos, não dos cidadãos.
Quarto item, ou impasse, é o “dial restrito” que se configura em quase nenhuma brecha para ingresso de novos veículos na exploração do negócio da comunicação, assim o lobbie exercido pelas grandes emissoras de rádio e televisão faz o espectro midiático tornar-se quase exclusividade para rádios e televisões comerciais de grande porte.
Quinto impasse, as “concessões infinitas”, é um ponto complicado pois mostra que as concessões federais às mídias (rádio e televisão) deveriam ser suspensas pois as mídias não estariam cumprindo as contrapartidas de qualidade e conteúdo exigidas por lei. Mas como os veículos midiáticos têm grande poder de penetração, e estão concentrados nas mãos de grupos com influência política (quando não na mão dos próprios políticos), praticamente inexiste no Brasil a cassação de concessões, o que praticamente inviabiliza o controle social da qualidade midiática.
“Lei de imprensa caduca”, o sexto impasse, aborda o ponto que a “Lei de imprensa” (Lei federal 5.250/67) foi extremamente importante mas com a rápida reconfiguração das comunicações, a lei tornou-se obsoleta e com definições e ações que já não podem ser consideradas atuais. Assim torna-se patente a necessidade de novas leis que regulem os abusos da imprensa, mas tais projetos de lei sequer saem do Congresso Nacional pois ficam retidas em comissões - compostas de políticos donos de concessões de rádio e televisão - que dificultam a todos custo que tais leis sejam aprovadas.
“Inoperância dos conselhos de comunicação” é o sétimo impasse - ou melhor, sétima lástima jornalística - pois demonstra a falta de organização dos jornalistas em criar, desenvolver e manter organizações de classe que sejam eficientes, que combatam desvios éticos da profissão, e que defendam os interesses midiáticos da população brasileira.
Já o oitavo impasse, “arcaísmo no empresariado” demonstra claramente que os empresários brasileiros da área de comunicação pouco se importam com mudanças no setor já que estas podem vir a desbalancear o equilíbrio de poder que os barões da mídia possuem. Entre outros comportamentos, o empresariado acredita não precisar dar satisfações públicas do seu negócio, o que inclui explicitar sua política editorial, fator que poderia levar ao esclarecimento da população brasileira sobre o posicionamento - nem sempre claro - dos veículos midiáticos.
O nono impasse - “categoria não pode cassar profissionais faltosos” - é uma herança também do sétimo. Na falta de órgão jornalístico com competências legais para cassar licenças de profissionais antiéticos, a sociedade fica refém de jornalistas cada vez mais desinformadores.
O último mas não menos importante, “autismo na sociedade” mostra que não apenas os jornalistas são desorganizados e não há incentivo do governo em organizar associações fortes, mas demonstra um problema maior: a sociedade é ineficaz (beirando a incapacidade) de criticar suas mídias e assumir posturas de negação daquelas desinformações veiculadas.
A sociedade brasileira simplesmente não critica o que assiste, ouve ou lê. Aceita passivamente todo aquele conteúdo sem qualquer tipo de questionamento.
O autor conclui seu artigo mostrando que há uma tímida iniciativa pública para analisar e promover uma mídia mais comprometida com a população, como os sítios na internet: Monitor de Mídia, Observatório da Imprensa, Instituto Gutemberg e SOS Imprensa.
“A crítica dos media* precisa ser entendida não como pichação deliberada, censura, mutilação ou depredação de conteúdos e programações. A crítica não é modelo, é método, instrumento. Conjunto de dispositivos sem os quais se dissolvem os critérios para uma leitura mais aprofundada da realidade. Se os meios de comunicação refletem a vida contemporânea e dela fazem parte, criticá-los é focar a própria vitrine das atividades humanas”, encerra o autor; e este jornalista assina embaixo.
* (profissionais que fazem a mídia, e seus veículos)
Análise do artigo “dez impasses para uma efetiva crítica da mídia no Brasil” foi apresentado pelo então doutorando Rogério Christofoletti no Intercom 2003, em Belo Horizonte. O original pode ser acessado através deste link:
http://reposcom.portcom.intercom.org.br/bitstream/1904/4395/1/NP2CHRISTOFOLETTI.pdf
A peça trata sobre dez pontos considerados fundamentais que impedem um progresso ético das mídias brasileiras (apesar de, aparentemente, não ser um quadro isolado ao Brasil).
Como abertura, o autor cita Ciro Marcondes Filho: “Uma sociedade sem crítica é uma sociedade morta”.
O jornalista começa citando o caso do suicídio de um policial militar de São Paulo, transmitido ao vivo pela Rede Record (sim, aquela mesma de evangélicos, que abordou a espetacularização do sofrimento humano ao limite).
Dos dez impasses, o primeiro citado é a “concentração e oligopólio” dos veículos de comunicação. Ora, no Brasil cerca de sete grupos controlem mais de 80% do que é visto, ouvido e lido pelos brasileiros. É uma situação crítica pois demonstra uma mídia presa à poucas opiniões, sem poder fugir das linhas editoriais impostas pelos pagadores de salários gordos. Como demonstrativo, o autor cita que no Brasil existiam em 2003 cerca de 41,1 milhões de domicílios com aparelhos de televisão, o que supera por larga margem o número de domicílios com refrigeradores.
O segundo impasse é a “propriedade cruzada e domínio de conteúdo”, que aborda a questão que uma família (ou grupo) pode ser proprietária de diversos veículos de comunicação. Ou seja: quem tem uma concessão de televisão, tem também uma de rádio, tem um jornal impresso, um portal de notícias, e assim por diante. Então não são produzidas informações novas, pelo contrário, os brasileiros são apenas bombardeados com a repetição de conteúdos para que essa massificação faça com que ele aceite sem questionar.
Impasse terceiro, o “coronelismo eletrônico”, é - para o autor - um sério agravante pois ele explica que as concessões de televisão e rádio (sim, você precisa de uma concessão federal para ter algum dos dois veículos) são, em sua maioria, fornecidas apenas a políticos. Assim, nada mais seria que a extensão da influência do curral eleitoral desses políticos para os meios eletrônicos de divulgação de notícias de interesses dos políticos, não dos cidadãos.
Quarto item, ou impasse, é o “dial restrito” que se configura em quase nenhuma brecha para ingresso de novos veículos na exploração do negócio da comunicação, assim o lobbie exercido pelas grandes emissoras de rádio e televisão faz o espectro midiático tornar-se quase exclusividade para rádios e televisões comerciais de grande porte.
Quinto impasse, as “concessões infinitas”, é um ponto complicado pois mostra que as concessões federais às mídias (rádio e televisão) deveriam ser suspensas pois as mídias não estariam cumprindo as contrapartidas de qualidade e conteúdo exigidas por lei. Mas como os veículos midiáticos têm grande poder de penetração, e estão concentrados nas mãos de grupos com influência política (quando não na mão dos próprios políticos), praticamente inexiste no Brasil a cassação de concessões, o que praticamente inviabiliza o controle social da qualidade midiática.
“Lei de imprensa caduca”, o sexto impasse, aborda o ponto que a “Lei de imprensa” (Lei federal 5.250/67) foi extremamente importante mas com a rápida reconfiguração das comunicações, a lei tornou-se obsoleta e com definições e ações que já não podem ser consideradas atuais. Assim torna-se patente a necessidade de novas leis que regulem os abusos da imprensa, mas tais projetos de lei sequer saem do Congresso Nacional pois ficam retidas em comissões - compostas de políticos donos de concessões de rádio e televisão - que dificultam a todos custo que tais leis sejam aprovadas.
“Inoperância dos conselhos de comunicação” é o sétimo impasse - ou melhor, sétima lástima jornalística - pois demonstra a falta de organização dos jornalistas em criar, desenvolver e manter organizações de classe que sejam eficientes, que combatam desvios éticos da profissão, e que defendam os interesses midiáticos da população brasileira.
Já o oitavo impasse, “arcaísmo no empresariado” demonstra claramente que os empresários brasileiros da área de comunicação pouco se importam com mudanças no setor já que estas podem vir a desbalancear o equilíbrio de poder que os barões da mídia possuem. Entre outros comportamentos, o empresariado acredita não precisar dar satisfações públicas do seu negócio, o que inclui explicitar sua política editorial, fator que poderia levar ao esclarecimento da população brasileira sobre o posicionamento - nem sempre claro - dos veículos midiáticos.
O nono impasse - “categoria não pode cassar profissionais faltosos” - é uma herança também do sétimo. Na falta de órgão jornalístico com competências legais para cassar licenças de profissionais antiéticos, a sociedade fica refém de jornalistas cada vez mais desinformadores.
O último mas não menos importante, “autismo na sociedade” mostra que não apenas os jornalistas são desorganizados e não há incentivo do governo em organizar associações fortes, mas demonstra um problema maior: a sociedade é ineficaz (beirando a incapacidade) de criticar suas mídias e assumir posturas de negação daquelas desinformações veiculadas.
A sociedade brasileira simplesmente não critica o que assiste, ouve ou lê. Aceita passivamente todo aquele conteúdo sem qualquer tipo de questionamento.
O autor conclui seu artigo mostrando que há uma tímida iniciativa pública para analisar e promover uma mídia mais comprometida com a população, como os sítios na internet: Monitor de Mídia, Observatório da Imprensa, Instituto Gutemberg e SOS Imprensa.
“A crítica dos media* precisa ser entendida não como pichação deliberada, censura, mutilação ou depredação de conteúdos e programações. A crítica não é modelo, é método, instrumento. Conjunto de dispositivos sem os quais se dissolvem os critérios para uma leitura mais aprofundada da realidade. Se os meios de comunicação refletem a vida contemporânea e dela fazem parte, criticá-los é focar a própria vitrine das atividades humanas”, encerra o autor; e este jornalista assina embaixo.
* (profissionais que fazem a mídia, e seus veículos)
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quarta-feira, 2 de maio de 2007
Reflexões sobre a televisão
(Historiador do cotidiano)
Ontem foi um dia bacana e emocionante para o blog: recebi duas visitas interessantes. A primeira, com seu "Espaço Zen" vem fazer uma reflexão sobre o cotidiano de forma desprendida das amarras do preconceito que cercam as pessoas mais velhas (assim pelo menos eu espero); e a segunda escreve sobre "Minha Melodia", a harmonia melodiosa da sua vida de forma suave e inteligente. Parabéns às duas.
:-)
O post de hoje é um "comentário" ao artigo "Forma, informa, deforma...":
"Adorei seu artigo.
Sua argumentação está muito interessante mas tem um erro fatal: faltou informar de onde são esses dados 98%/95%. Sei que não são pesquisas suas, então de onde você retirou essas informações? (lembre-se sempre de colocar as fontes, isso dá mais credibilidade ao texto e lhe isenta de responsabilidades quando existe algum dado errado).
:-)
Ah, se for de algum site, lembre-se de colocar dia e hora que acessou. Se for revista, número da revista e mês que foi publicada, etc.
Quanto à análise da informação:Gostei. De verdade. O texto tem aspectos interessantes e curiosos. Vamos a uma pequena reflexão: você sabe o que é necessário para ser dono de uma televisão aqui no Brasil? Requer que o Presidente do Brasil assine uma concessão presidencial. Você acredita que ele dará uma concessão de televisão a alguém que não seja da área política? É... eu também não.
O que temos a agradecer sobre a imprensa é aos militares. Em 1968 (ou foi 69), o Governo Militar editou uma Lei de Imprensa que concede liberdades inimagináveis. Se não fossem os militares, hoje teríamos uma imprensa censurada e incompetente (e ainda tem uns idiotas por aí que falam o inverso, que os militares é que estragaram tudo).
Voltemos à questão televisão. A televisão existe para entreter. Ela surgiu no Brasil em 1950 com a instalação da TV Tupi pelo grande jornalista Assis Chateaubriand.
Durante o Governo Militar, foi instituída a classificação etária (pornografia só depois de uma determinada hora, etc) e a exigência de ao menos 30% da programação ser exclusivamente jornalística.
(Foram também instituídas duas disciplinas no colégio: "Educação Moral e Cívica" e "OSPB" (organização social e política do Brasil) que eram disciplinas que levavam nossos alunos a entenderem como funciona nossa Nação e começarem a ter pensamento crítico. Com a subida dos civis ao governo em 1986, os civis acabaram com essas disciplinas porque para eles não interessava que a população fosse esclarecida, e sim que servissem de curral eleitoral)
Voltemos à questão da televisão: ela é - essencialmente - de entretenimento. Sendo assim você não pode cobrar informação de qualidade já que isso não faz parte dos planos das emissoras, à excessão das TV's Cultura (mantidas por universidade federais, normalmente mal pagas e com equipamentos defasados).
As emissoras contam ainda com uma grande vantagem: a imagem! O emprego das imagens é fascinante, é fantástico! Você não precisa imaginar como em um jornal ou via rádio... elas estão ali na sua cara, você não precisa nem racionar (...) é absurdamente fácil para uma mente mediana captar informações - ou melhor, absorvê-las - e repetir quase como papagaios.
Essa fascinação é amplificada por uma sociedade que convive com todos os sentidos mas que destaca mais a visão: você vê o que lhe cerca, inclusive o que houve, quando damos preferências à videoclipes do que às músicas, e por ai vai.
Esse poder de fascinação que é gerado pela "deusa dos raios azulados" é algo que prende, captura, amputa nosso raciocínio e nos transforma em audiência generalizada. Recomendo a leitura do texto "de Bonner para Homer" disponível no Observatório da Imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/
Acredito que ficou claro que o papel da televisão NÃO é o de educar, e sim de entreter.
É dever de cada um de nós cercar-se de informações e meios que nos possibilitem ver através das paredes tranlúcidas das informações midiáticas.
Você também tem o direito de escolha. O ato de "zapear" (referência às trocas de canais com a utilização de controles remotos) aumenta a possibilidade de irmos atrás de informações de qualidade. Mas... nós queremos? Outro dia na TV Cultura estava passando um concerto de música clássica, com a orquestra sinfônica brasileira. Eu quase não tive paciência de assistir pois, por mais que adore boa música, não temos educação ou treinamento para apreciarmos tal cultura. O zapeamento torna-se ainda menos eficiente quando dispõe-se apenas dos canais de televisão de sinal aberto.
Mas a questão fundamental é: a televisão é boa ou má?
Eu mesmo tenho programas favoritos. Adoro assistir o "The History Channel", adoro a série "Two and a half man", sou fã incondicional de "Mythbusters" e não perdia por nada seriados como "McGuyver" e "Alf - o e-teimoso".
Então, novamente lhe parabenizo pelo seu texto. Gostei mesmo. E minha sugestão para o seu próximo artigo é você refletir sobre o tema "Televisão: boa ou má?"
"
Abraços, e uma excelente quarta-feira a todos(as)!
Ontem foi um dia bacana e emocionante para o blog: recebi duas visitas interessantes. A primeira, com seu "Espaço Zen" vem fazer uma reflexão sobre o cotidiano de forma desprendida das amarras do preconceito que cercam as pessoas mais velhas (assim pelo menos eu espero); e a segunda escreve sobre "Minha Melodia", a harmonia melodiosa da sua vida de forma suave e inteligente. Parabéns às duas.:-)
O post de hoje é um "comentário" ao artigo "Forma, informa, deforma...":
"Adorei seu artigo.
Sua argumentação está muito interessante mas tem um erro fatal: faltou informar de onde são esses dados 98%/95%. Sei que não são pesquisas suas, então de onde você retirou essas informações? (lembre-se sempre de colocar as fontes, isso dá mais credibilidade ao texto e lhe isenta de responsabilidades quando existe algum dado errado).
:-)
Ah, se for de algum site, lembre-se de colocar dia e hora que acessou. Se for revista, número da revista e mês que foi publicada, etc.
Quanto à análise da informação:Gostei. De verdade. O texto tem aspectos interessantes e curiosos. Vamos a uma pequena reflexão: você sabe o que é necessário para ser dono de uma televisão aqui no Brasil? Requer que o Presidente do Brasil assine uma concessão presidencial. Você acredita que ele dará uma concessão de televisão a alguém que não seja da área política? É... eu também não.
O que temos a agradecer sobre a imprensa é aos militares. Em 1968 (ou foi 69), o Governo Militar editou uma Lei de Imprensa que concede liberdades inimagináveis. Se não fossem os militares, hoje teríamos uma imprensa censurada e incompetente (e ainda tem uns idiotas por aí que falam o inverso, que os militares é que estragaram tudo).
Voltemos à questão televisão. A televisão existe para entreter. Ela surgiu no Brasil em 1950 com a instalação da TV Tupi pelo grande jornalista Assis Chateaubriand.
Durante o Governo Militar, foi instituída a classificação etária (pornografia só depois de uma determinada hora, etc) e a exigência de ao menos 30% da programação ser exclusivamente jornalística.
(Foram também instituídas duas disciplinas no colégio: "Educação Moral e Cívica" e "OSPB" (organização social e política do Brasil) que eram disciplinas que levavam nossos alunos a entenderem como funciona nossa Nação e começarem a ter pensamento crítico. Com a subida dos civis ao governo em 1986, os civis acabaram com essas disciplinas porque para eles não interessava que a população fosse esclarecida, e sim que servissem de curral eleitoral)
Voltemos à questão da televisão: ela é - essencialmente - de entretenimento. Sendo assim você não pode cobrar informação de qualidade já que isso não faz parte dos planos das emissoras, à excessão das TV's Cultura (mantidas por universidade federais, normalmente mal pagas e com equipamentos defasados).
As emissoras contam ainda com uma grande vantagem: a imagem! O emprego das imagens é fascinante, é fantástico! Você não precisa imaginar como em um jornal ou via rádio... elas estão ali na sua cara, você não precisa nem racionar (...) é absurdamente fácil para uma mente mediana captar informações - ou melhor, absorvê-las - e repetir quase como papagaios.
Essa fascinação é amplificada por uma sociedade que convive com todos os sentidos mas que destaca mais a visão: você vê o que lhe cerca, inclusive o que houve, quando damos preferências à videoclipes do que às músicas, e por ai vai.
Esse poder de fascinação que é gerado pela "deusa dos raios azulados" é algo que prende, captura, amputa nosso raciocínio e nos transforma em audiência generalizada. Recomendo a leitura do texto "de Bonner para Homer" disponível no Observatório da Imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/
Acredito que ficou claro que o papel da televisão NÃO é o de educar, e sim de entreter.
É dever de cada um de nós cercar-se de informações e meios que nos possibilitem ver através das paredes tranlúcidas das informações midiáticas.
Você também tem o direito de escolha. O ato de "zapear" (referência às trocas de canais com a utilização de controles remotos) aumenta a possibilidade de irmos atrás de informações de qualidade. Mas... nós queremos? Outro dia na TV Cultura estava passando um concerto de música clássica, com a orquestra sinfônica brasileira. Eu quase não tive paciência de assistir pois, por mais que adore boa música, não temos educação ou treinamento para apreciarmos tal cultura. O zapeamento torna-se ainda menos eficiente quando dispõe-se apenas dos canais de televisão de sinal aberto.
Mas a questão fundamental é: a televisão é boa ou má?
Eu mesmo tenho programas favoritos. Adoro assistir o "The History Channel", adoro a série "Two and a half man", sou fã incondicional de "Mythbusters" e não perdia por nada seriados como "McGuyver" e "Alf - o e-teimoso".
Então, novamente lhe parabenizo pelo seu texto. Gostei mesmo. E minha sugestão para o seu próximo artigo é você refletir sobre o tema "Televisão: boa ou má?"
"
Abraços, e uma excelente quarta-feira a todos(as)!
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