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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Todos contra o Brasil

A recente decisão do presidente equatoriano, Rafael "caloteiro" Correa, de impugnar ante uma corte internacional a dívida de 243 milhões de dólares contraída por seu país com o Banco Brasileiro de Fomento (BNDES) tem configurado um novo e delicado cenário na política regional sul-americana, é o que conta hoje o jornal espanhol El Pais.

Ao que parece aos poucos vai "vazando pelo ralo" o tratado feito no encontro de Manaus de 30 de setembro, onde Brasil, Venezuela, Bolívia e Equador anunciaram um ambicioso projeto de integração regional que incluía uma série de investimentos conjuntos para conectar os oceanos Pacífico e Atlântico através de corredores terrestres e fluviais que cruzariam o sul do continente de costa a costa.

Alinhados com as posições do Equador e estrangulados pela crise financeira internacional, alguns governos(se é que assim podem ser chamados) da esquerda mais dura e igualmente burra da América do Sul, leia-se falsos populistas, (Venezuela, Paraguai e Bolívia) propõem-se agora revisar suas respectivas dívidas com o Brasil. Ante a ameaça de uma iminente onda de morosidade coletiva, o ministro Celso Amorim advertiu aos vizinhos que se continuarem minando sua confiança na concessão de crédito, paralisará o financiamento dos grandes projetos para a integração sul-americana.

Nosso país está na mira de vários países da região que manifestaram sua solidariedade com o governo equatoriano depois do conflito diplomático entre Brasília e Quito, por causa de uma série de "problemas" detectados na hidrelétrica de San Francisco, construída no Equador pela Odebretch com financiamento do BNDES. Existe um verdadeiro sentimento de rancor e inveja ante as últimas mostras da liderança regional do Brasil, que alguns governos, como o do venezuelano Hugo "el loco" Chavez, chamam de perigosas e excessivas.

Correa, um tagarela de "marca maior" que já teve a boca calada por Uribe que ameçou denunciá-lo de envolvimento com o tráfico de drogas e com as FARC, qualifica a Odebretch de empresa "corrupta". A exemplo de Evo "cocalero" Morales, fechou a hidrelétrica e a ocupou militarmente, expulsou à construtora do país e posteriormente anunciou o início de uma ação legal ante a Câmera de Comércio Internacional (CCI) de Paris para não pagar o empréstimo concedido pelo banco brasileiro.

Lula, principal responsável por estes empréstimos para seus, agora ex, "amiguinhos", foi forçado pelo Itamaraty a chamar o embaixador em Quito e ameaçou revisar 30 projetos de cooperação com o Equador. (Não seria melhor cancelar todos?). Celso Amorim já confirmou que o embaixador não regressou para o Equador e que não há data prevista.

Em 26 de novembro passado, os países que compõem a Alternativa Bolivariana para a América (ALBA) saudaram a decisão equatoriana de cancelar o pagamento da dívida contraída com o Brasil. O presidente venezuelano, Hugo "mentiroso" Chavez, respaldado por seus homólogos da Bolívia, Nicarágua e Honduras, anunciou "respostas marcadas" ante ações "que atentem contra a vontade do Equador de impugnar os créditos que tenham lesionado a economia do país e de seu Estado de direito". Além do respaldo à decisão equatoriana, a ALBA recomenda aos países endividados a realização de auditorias integrais para verificar evidências de atos que tenham lesionado suas economias e a infração da ordem jurídica que deve reger um Estado de direito. Desta maneira, o eixo socialista latino-americano anima os governos da região a seguir os passos do Equador.

A investida obteve uma rápida resposta em Assunção, onde na semana passada o presidente paraguaio, Fernando "falastrão" Lugo, anunciou a revisão da dívida contraída por seu país com a Argentina, Brasil e Taiwan.

- "Se outros países como o Equador não estão pagando, por que nós também não?", declarou o ex-bispo.

O BNDES é a maior entidade creditícia da América Latina e já emprestou milhões de dólares para o Equador, Venezuela, Bolívia e Paraguai, coincidência ou não, os países que mais fazem qüestão da necessidade de analisar a legalidade das dívidas contraídas e de não assumi-las.

Todos estes governantes adeptos do popularismo barato e enganador já utilizam o mesmo e velho discurso estéril e ordinário de esquerda de sempre, relacionam o crescimento do nosso país como o de exploração de massas e nos acusam de ricos estrangeiros imperialistas.

E agora Brasil?

quarta-feira, 12 de março de 2008

Silêncio que incomoda

(Historiador do cotidiano)

Muito bom dia. Como você já teve a oportunidade de ler aqui no blog há alguns dias atrás, com esse furdunço todo da Colômbia e Equador, com a participação estúpida daquele louco ditador venezuelano, algumas perguntas ficaram no ar das quais relembro duas:

- Por que ninguém falou sobre o Equador e a Venezuela darem proteção aos terroristas narcotraficantes?
- Por que ninguém falou sobre os 300 milhões de dólares doados pela Venezuela aos terroristas narcotraficantes?

O texto abaixo é de autoria de Gilberto Barbosa de Figueiredo, e mostra que eu não sou o único com esses questionamentos. Mais pessoas de bem, inteligentes e bem instruídas - e que não assistem televisão - estão fazendo as mesmas perguntas.

Sobre não assistir televisão, recomendo que você assista a dois filmes excelentes: "Mera coincidência" (com Robert de Niro e Dustin Hoffman) e "O quarto poder" (com Dustin Hoffman, John Travolta e Al Pacino). Principalmente assistam o primeiro.

Vamos ao artigo:

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UM SILÊNCIO INCÔMODO E PERSISTENTE
Gilberto Barbosa de Figueiredo (*)

Em 2007, escrevi um texto que chamei de "UM SILÊNCIO MUITO SUSPEITO". Nele, mostrei que ao lado da esperança advinda das sucessivas declarações de apoio aos princípios democráticos, proferidos pelo Presidente da República, ficava sempre uma dúvida pertinaz, produzida pela insistência em não tomar posição em assuntos relevantes para quem acredita mesmo em democracia. Referia-me à ausência de alguma manifestação de repulsa a regimes sabidamente ditatoriais, como o de Fidel Castro, ou a deslizes praticados contra a liberdade, a exemplo dos promovidos por Hugo Chavez. Ao invés de uma definição clara o Presidente preferia optar por um cômodo silêncio.

Passa-se o tempo e chegamos ao incidente envolvendo a Colômbia e o Equador. O impasse, felizmente, foi, pelo menos até o momento, solucionado por via diplomática, com a intervenção da OEA e do Grupo do Rio. Mas, embora o desdobrar da crise seja imprevisível, creio ser pertinente, desde já, uma reflexão sobre as primeiras reações do governo brasileiro em face do episódio.

Os pronunciamentos iniciais estiveram dentro daquilo que se poderia esperar, ante a violação clara de um direito internacional. Reação, aliás, adotada por todos os governos sul-americanos. Sem maiores informações, em face do fato concreto da invasão, é uma posição que não pode ser questionada. Porém, para perturbar o confronto, aconteceu uma interferência da Venezuela, absolutamente espúria, com temperos de comédia circense. Sobre o fato, nada quis declarar nosso governo. Extra-oficialmente, falou-se de que seria para isolar Chavez. Não foi o que se observou. Na reunião do Grupo do Rio, lá estava o presidente venezuelano absolutamente integrado às negociações, pousando de interlocutor essencial para a solução do caso.

Um silêncio novamente comprometedor aconteceu, quando não se ouviu uma única nota de repúdio às FARC, organização clandestina que pratica atos de guerrilha, tráfico de drogas e terrorismo. Parece que as amizades solidificadas no foro de São Paulo falam mais alto do que os deveres do chefe de estado.

O Brasil, de acordo com sua posição inicial, sugeriu um pedido de desculpas da Colômbia, mas como muito apropriadamente lembrou o jornalista Alexandre Garcia, não seria o caso de também sugerir ao Equador um pedido de desculpas? Afinal, aquele país abrigava, conscientemente, guerrilheiros cujo objetivo declarado é a derrubada do governo da Colômbia, um governo democrático, legitimamente eleito.

E o que dizer sobre o silêncio que, novamente, se abateu sobre o gravíssimo caso dos documentos encontrados com o guerrilheiro morto? Eram documentos que indicavam ligações e até apoio financeiro proporcionados pelos governos da Venezuela e do Equador ao grupo de delinqüentes. Nossa diplomacia preferiu sair na tangente, nada declarar sobre o assunto e, quando apertada por jornalistas, apresentar respostas evasivas. Um dos documentos recuperados após a morte do guerrilheiro Reyes compromete de forma categórica o governo equatoriano, pois mostra ter havido um encontro dele com o Ministro Gustavo Larrea, da Segurança Interna. O ministro, entre muitas demonstrações de apreço pela guerrilha, confirmou o interesse do governo equatoriano em "oficializar as relações com a direção das FARC." Outro documento mostra que Chavez financiou as FARC com a "módica" quantia de US$ 300 milhões. Isso mesmo: trezentos milhões de dólares.

A verdade indisfarçável é que os governos, tanto do Equador, quanto da Venezuela nutrem fortes simpatias pelos guerrilheiros terroristas, considerando-os integrados ao mal explicado "projeto bolivariano". E não se acanham em lhes dar guarida em seus territórios, seja para repouso, seja para a reorganização de suas forças, seja ainda para proporcionar apoio a suas rotinas delituosas.

Obviamente, essas práticas caracterizam clara violação ao direito internacional, tanto quanto a invasão perpetrada pela Colômbia, essa condenada pelo Presidente Lula de forma peremptória. E por que, então, os deslizes dos amigos do foro de São Paulo não mereceram o mesmo tratamento? Por que, quando se trata de condenar companheiros da esquerda, o silêncio é o remédio adotado?

A verdade é que o silêncio do governo, quando se defronta com alguns assuntos em que estão exigidas definições claras de suas convicções democráticas, continua a incomodar. Parece preferir manter a atmosfera de dúvida para seus concidadãos a dar demonstração transparente de repúdio a ditaduras. Parece preferir defender déspotas estabelecidos em nosso continente a proferir declarações de rejeição aos que agridem liberdades democráticas. Parece preferir agarrar-se a seu viés ideológico a condenar seus companheiros na Venezuela ou no Equador.

Fica, pois, a indagação: até quando pretende o Presidente se manter nesse difícil equilíbrio? Em algum momento, com certeza, terá de mostrar seu verdadeiro contorno. Se o do governante com discurso de democrata, capaz de adotar com sucesso políticas econômicas liberais, ou o do amigo e admirador de ditaduras, escondendo-se no silêncio para preservar facínoras, apenas porque posam de companheiros de esquerda. Algum dia, a verdadeira face terá de estar exposta.

(*) O autor é General-de-Exército e Presidente do Clube Militar

Operação Fênix: os detalhes do ataque colombiano que matou o líder das Farc

Extraído na íntegra de: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2008/03/12/ult581u2495.jhtm12/03/2008

12/03/2008
Operação Fênix: os detalhes do ataque colombiano que matou o líder das Farc

Maite Rico
Enviada especial a Bogotá

Cinco vezes Luis Edgar Devia, aliás Raúl Reyes, tinha escapado das tentativas das forças de segurança de "dar-lhe baixa". Em 1º de março, a onda expansiva de uma bomba pôs fim à vida do número 2 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Dormia profundamente. A última coisa que poderia imaginar era que o exército colombiano fosse alcançá-lo em seu santuário no Equador. Mas do outro lado da fronteira os serviços de inteligência esperavam o momento. E o momento chegou naquela madrugada de sábado.

O general Freddy Padilla, chefe das forças armadas da Colômbia, estende uma enorme fotografia aérea da região de Piñuña Blanco. Separando os dois países, as águas avermelhadas do rio Putumayo correm em meandros. Algumas manchas amarelas rompem a monotonia verde da vegetação tropical. São "chácaras de coca" abandonadas. "Sabíamos que ele estava em seu acampamento-mãe", explica, mostrando uma cruz vermelha no lado equatoriano, a 1.850 m da fronteira. "E tínhamos a informação de que ia manter um encontro nesse ponto, em território colombiano".

Desde 2002 as autoridades colombianas haviam-se proposto a decapitar a narcoguerrilha que ensangüenta o país há 40 anos. Reyes era uma prioridade. Tudo estava pronto na sexta-feira, 29 de fevereiro. "Por volta das 22h30, meia hora antes de lançar o ataque, recebemos a informação de que o senhor não viajou", continua Padilla. O presidente Álvaro Uribe dá a luz verde. Não podem perder a oportunidade. Trocam-se as coordenadas dos aviões, que agora são N 00º23'10.66'', W076º20'59.88'': o acampamento-mãe no Equador. Dois Supertucanos decolam. A operação Fênix está em marcha.

O Equador denunciou que as aeronaves penetraram 10 km e bombardearam o acampamento das Farc. "Não entramos em seu espaço aéreo", afirma o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos. "O percurso está registrado nos sistemas de navegação. E há um enorme radar equatoriano a 46 km do lugar, que os teria detectado". Quito alega que seu radar não estava funcionando. "Que casualidade", ironiza Padilla, e desenha parábolas e flechas em um papel para explicar que é possível atacar sem ultrapassar a fronteira. "Sabe o que entrou? Quatro helicópteros Blackhawk com tropa de elite e 44 policiais judiciários para registrar e verificar se Reyes estava".

Os soldados abrem caminho com os visores noturnos até o acampamento. Um deles leva uma câmera no fuzil. Entre os escombros encontram o cadáver de um homem barbado e barrigudo. Objetivo alcançado. Um pouco mais adiante, a câmera enfoca o rosto assustado de uma mulher. Está amarrada, como as Farc costumam manter seus reféns. Tratam seu braço e colocam ao lado dela uma bandeira branca. Fazem o mesmo com duas guerrilheiras feridas. O filme mostra um acampamento estável, com infra-estrutura, desde camas até material de intendência. Os comandos encontram três computadores portáteis e dois discos rígidos externos. Também há US$ 39.900.

Alguns tiros rompem o silêncio. Começa o combate com o anel de segurança da guerrilha. "O barbudo que queríamos já temos, 'hermano'! Entreguem-se, não se façam matar bestamente" Os atacantes desaparecem. Os helicópteros levantam vôo com o corpo de Reyes, para evitar que as Farc desmintam sua morte. Os agentes policiais ficam resguardando o acampamento.

Às 1 da manhã Uribe telefona para seu colega Correa. Comenta que houve um confronto que ultrapassou a fronteira. Morreram um soldado e cerca de 20 guerrilheiros, entre eles Raúl Reyes. Correa se inquieta: "Onde Reyes caiu?" "Tenho quase certeza de que foi em território do Equador", responde Uribe. "Com um certo rubor", o colombiano admite que não disse que fora uma operação planejada. "Assumo minha responsabilidade. Mas se tivesse comunicado antes tenho certeza de que tudo teria fracassado."

Imediatamente depois os comandantes militares chamam seus pares equatorianos. "A reação foi solidária", afirma Padilla. "Demos-lhes as coordenadas do lugar e lhes dissemos que tínhamos deixado 44 homens para lhes entregar tudo".

Mas algo se modifica. Ao meio-dia de sábado, a inteligência colombiana no Equador alerta sobre uma acalorada reunião do presidente com os chefes militares. A decisão de Correa é deter os agentes colombianos. Sem outra escapatória, os 44 homens entram pela selva, dando uma grande volta para evitar tanto o exército equatoriano quanto as Farc. Depois de 11 horas de caminhada a coluna entra na Colômbia. São 7 da manhã de domingo. A Operação Fênix terminou. E começa uma crise diplomática que, apesar das cenas de abraços, está muito longe de encerrada.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves