Jornalistas não são meros investigadores da realidade que passam esse conteúdo apenas em forma de notícias e reportagens para a população. O jornalista caracteriza-se também pela imortalização - nas páginas do seu veículo midiático - como um historiador. Mas não um historiador de grandes eventos da humanidade e sim, essencialmente, um historiador do cotidiano. Seja, então, muito bem vindo, meu caro leitor!
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sexta-feira, 3 de abril de 2020
10 erros dos novatos em paintball
Paintball é um esporte maravilhoso! Queima muita caloria, desestressa, dá uma paz na alma (depois do jogo), libera uma quantidade absurda de endorfina, é viciante! E é um dos esportes de aventura que mais cresce no mundo!!!
Mas todo esporte também tem seus iniciantes, com seus erros de iniciantes. Isso é natural e compreensível, então para ajudar os novatos, segue uma pequena lista dos dez erros mais comuns dos novatos, para que você possa aprender e evitar!
(Quanto à tinta, fique tranquilo: ela sai com água. É só chegar em casa e botar a roupa debaixo da torneira, pronto!)
Com a experiência de mais de 200 partidas de paintball, tendo efetuado algumas dezenas de milhares de disparos, seguem abaixo as orientações.
Erros mais comuns:
1. Não trazer munição suficiente e ficar amolando os companheiros
Solução: novatos pensam que 1 carregador (loader) cheio é suficiente para um jogo.
No paintball cenário, não é. Em média, se gasta 100 a 500 bolinhas por jogo! E se você for para as modalidades de "speed" ou "speed urbano" (a mais comum no Brasil), se prepare também para mais ou menos a mesma quantidade.
2. Atirar no inimigo cedo demais e de uma distância muito grande
Solução: principalmente nos primeiros jogos, procure ficar próximo a jogadores mais experientes e tente jogar como eles. Ao avançar contra o inimigo, deixe-os atirar primeiro, para ver - na prática - a distância de eficácia do seu equipamento. Lembre-se que TODOS os marcadores são completamente eficazes até uns 20 metros de distância, mas podem ter um alcance útil de 50m ou mais, quando você aprende a manusear corretamente.
3. Ficar inseguro ou idiota com o equipamento
Solução: Paintball é muito mais sobre habilidade do que o equipamento
em si. Trabalhe em sua habilidade e depois em sua carteira. Ou seja, um jogador com um marcador (arma de paintball) de 500 reais pode ser tão eficiente quanto um utilizando um marcador de 3.000. O marcador não faz o jogador. Aprenda a manusear seu equipamento, e ele vai ser mais útil que algo caro que você não maneja à perfeição. Ou seja... não se preocupe em jogar contra jogadores com equipamentos grandes e caros, a diferença é essencialmente que eles vão carregar mais peso.
4. Going Rambo Style (essa nem precisa traduzir)
Solução: Ok, essa é pra rolar de rir. Não ache que correr com dois marcadores pelo campo vai te fazer mais eficaz em combate. Não. Você vai ficar mais pesado, mais visível, com mira menos acurada (afinal você não vai ter uma mão extra para apoiar e direcionar o equipamento). A real é que não é necessário usar mais que uma arma no jogo, use um marcador e não fique em campo aberto. Se você estiver jogando "cenário" você pode levar uma arma secundária de pequeno porte, mas que você só vai usar em áreas confinadas ou quando acabar a munição do principal. Não manuseie dois equipamentos simultaneamente!
5. Novatos estão sempre removendo a máscara.
Solução: NUNCA remova sua máscara. Apenas o faça nas chamadas zonas de segurança (safe zones), previamente indicadas pelos organizadores, mesmo que esteja apenas parado aguardando o jogo começar. TODO MUNDO toma bolinha na cara (headshot), uma hora ou outra, você não quer estar sem máscara nessa hora CERTO? Um disparo no rosto, sem máscara, pode cegar!!!
6. Medo de ser atingido pela primeira vez
Solução: ser atingido não dói tanto assim. É muito parecido com tomar um tapa ou um soco daqueles de brincadeira com os amigos. Apenas fique atento em utilizar pelo menos uma camada de roupa a mais, como uma camiseta de manga comprida e calças. Outra coisa, quanto mais perto o tiro, mais dói. Alguns campos têm limite mínimo para atingir os oponentes, na dúvida, pergunte antes.
A minha experiência mostra que um disparo arde mais do que machuca. Se ficar marca, ela sai em alguns dias. Agora uma observação importante: muita gente vai jogar com duas ou mais camadas de roupas. Isso pode proteger mais do impacto? Sim. Mas vai te fazer SUAR MUITO MAIS, você vai cansar mais rápido, vai desidratar mais rápido, e - pensa comigo - nesse clima brasileiro quem sairia de casa com duas camadas de roupa? Quanto mais para praticar atividade física!?
Então, particularmente, eu prefiro ir com apenas uma camada (tênis, calça jeans e camiseta normal) e ficar mais leve, mais confortável (em termos térmicos), mais ágil. É uma dica baseada na minha experiência, mas você faz o que mais te apetecer.
7. Pegar bolinhas do chão e atirando com elas.
Solução: não pegue bolinhas do chão!!! É tão simples quanto isso. Se está curioso para saber o porque técnico: as bolinhas são sensíveis ao frio, ao calor, umidade, sujeira e etc. Elas absorvem água e sujeira e se deformam bastante nessas condições. Quente e frio também vão deixá-las mais rígidas. Marcadores foram feitos para disparar bolinhas com uma medida exata de 1.7 cm. Ou seja, bolinhas do chão estragam o marcador.
8. Friendly- Fire (Esquecer quem é do time e atirar em um amigo, o chamado “Fogo-amigo”)
Solução: descubra quem é seu time. Se é um monte de pessoas que você conhece ou um grupo de estranhos, fique atento a características físicas como tamanho, altura, pele, cores etc. Procure reparar também na cor das roupas, desenho, estilo. É difícil perceber quem é quem quando todo mundo está de máscara, mas é pior atirar em um inimigo e descobrir depois que era um amigo. Fique atento! Alguns campos facilitam esse trabalho entregando coletes da mesma cor, ou colocando faixas nos braços dos jogadores. Mesmo assim atenção! Se você dispara num colega de equipe, mesmo sendo colega de equipe ele será eliminado da rodada (e dependendo das regras do campo, você também!)
9. Tiro cego. Não saber para onde você está atirando
Solução: sempre olhe na direção que você está atirando. Segurar seu marcador e ficar atirando em um monte de arvores, pedras e amigos do mesmo time não é inteligente. Eu nunca vi, em todos esses anos de paintball, alguém acertar alguma coisa útil sem ver. Basicamente, Olhe, Atire e acerte. E claro, é muito mais legal ver o inimigo ser atingido, CERTO? Lembre ainda que muitos campos banem jogadores que usam essa técnica nefasta!!!
10. Camperando e jogando na defesa
Solução: sempre haverá jogadores que simplesmente não avançam do ponto inicial do jogo. Eu mesmo já vi muita gente escondida atrás de algum objeto, sem atirar em ninguém, com medo da brincadeira. Quando estiver no meio do jogo, seja um pouco agressivo, jogue com inteligência e mais importante que tudo, seja útil aos seus companheiros de time. Ou seja, se você se deslocou até um campo, é porque quer jogar CERTO?
Seja útil: ajude seus companheiros de time, avance com eles ou dê cobertura. Quem não atinge é atingido. Quem fica escondido vai ser surpreendido e tomar tiro quando menos espera. Além disso, você está deixando seus colegas na mão!
Se você tem medo de não ser útil, pergunte aos jogadores mais experientes o que fazer, acompanhe eles, vá à luta! Você foi até o campo para jogar, então jogue!
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Isso cobre os 10 erros mais comuns. Como uma dica final fica: TRABALHO EM EQUIPE. Essa atitude ganha a maioria dos jogos e se resume a “Eu avanço, você atira. Você avança, eu atiro.” é simples e eficaz assim! Troque informações durante o jogo e dê cobertura. Se você vê um inimigo e seu companheiro não, avise ele e vice-versa.
Que outras dúvidas você tem sobre o esporte? Escreva nos comentários.
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sábado, 14 de março de 2009
Viajar? GPS!
Extraído na íntegra de: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2009/03/14/ult2682u1105.jhtm
14/03/2009 - 00h03
Coordenadas de GPS são o novo destino de viagens
(Por: Stephan Orth)
Mapas são coisa do século passado. Hoje em dia, aventureiros com aparelhos de GPS estão conquistando novos territórios - as coordenadas dos mapas. No selvagem inverno russo, você pode ir aonde ninguém esteve antes, por exemplo, 59 graus norte, 35 graus leste.
Existem certos sons que um esquiador de cross-country definitivamente não quer escutar, especialmente quando o destino do dia está a 15 quilômetros de distância na natureza coberta de neve da Rússia. O rugido de um urso pardo - caçadores mataram dois não longe daqui no último outono - seria um desses sons. Outro seria o rosnado de um lobo.
Mas Vladimir Chernorutsky está preparado para animais selvagens. Ele trouxe uma pequena arma para espantar animais, vários disparadores de foguetes de artifício e uma dúzia de bombinhas de uma marca chamada "Morte Negra". Ele pretende usá-las se for necessário para assustar os predadores.
Mas um som especialmente desagradável, para o qual Vladimir não está preparado, é um estalo como o de um galho se quebrando, que ocorre exatamente a 59°01'01.8" de latitude norte e 35°03'57.9" de longitude leste, em uma solitária tarde de sábado. É o estalido seco de um esqui se partindo ao meio, logo atrás do calcanhar.
"Dimitri vai matar você", é a primeira reação de Vladimir ao acidente. Dimitri é o dono desses esquis estreitos de madeira branca e foi muito gentil de emprestá-los durante dois dias. Mas assassinato nas mãos de um moscovita furioso não é realmente o problema mais urgente nesse momento, já que Moscou está a cerca de 500 quilômetros de distância. O problema mais imediato está à frente, na forma de um enorme pântano que só pode ser atravessado no inverno, quando está congelado e coberto de neve.
O destino da viagem está no lado oposto do pântano, a cerca de 4,5 km de distância. O objetivo não é um pico de montanha nem um ponto com uma paisagem maravilhosa, mas uma coordenada geográfica: 59° norte, 35° leste. E Vladimir quer ser a primeira pessoa a atingir exatamente essa intersecção de linhas de latitude e longitude.
"Nerds" de geografia e exploradores amadores
"Caça de confluências" é o nome desse jogo, e a aventura começa com um equipamento de GPS para encontrar os pontos coordenados. A idéia foi de um americano chamado Alex Jarrett. Em fevereiro de 1996, Jarrett dirigiu pelos EUA em um carro com dispositivo de GPS, tirando fotos dos pontos onde se cruzam linhas de latitude e longitude com números inteiros. Então ele publicou essas fotos em um site na web. Outros viajantes amigos da tecnologia gradativamente seguiram seu exemplo, criando um "mapeamento organizado do mundo", como Jarrett chama a coleção global de fotografias e relatórios enviados por "nerds" de geografia e exploradores amadores.
"A idéia é conhecer um país não através de um guia, mas de mudanças na paisagem vistas a intervalos regulares, de intersecção em intersecção", diz Vladimir. O matemático de 48 anos, pai de dois filhos, é um assessor financeiro de várias empresas da Internet, mas também trabalha colateralmente como coordenador russo da confluence.org. Até agora ele visitou 80 pontos de confluência (CPs, na sigla em inglês) e foi o primeiro a alcançar 48 deles. "Eu costumava fazer isso no caminho quando estava de férias, e também um pouco de admirar paisagens", ele explica. "Mas ultimamente os próprios CPs têm sido o motivo da viagem."
Na verdade, não importa muito se há algo interessante para ver no destino dessa caçada guiada por satélite. Em um mundo onde há cada vez menos lugares não mapeados e visitados, esse tipo de expedição por GPS é uma oportunidade para uma pessoa comum se tornar um explorador. As pessoas viajaram à lua, ao topo do monte Everest e ao pólo norte, mas ainda há 10 mil pontos de confluência não explorados sobre o solo em todo o mundo. Os pontos que caem em corpos aquáticos só contam se estiverem bem próximos de um litoral.
"Sempre precisa haver um ponto de orientação na terra visível nas fotografias do local", diz Vladimir, explicando as regras do projeto. Ele avalia todas as tentativas feitas na Rússia, decidindo se serão aceitas e publicadas no site. Todos os 48 pontos de confluência da Alemanha já foram visitados, e no resto da Europa somente alguns pontos continuam inexplorados, por exemplo, junto aos litorais de Portugal e da Noruega.
De repente Vladimir para e tira uma foto de pinheiros que cercam densamente seu caminho. Eles não constituem uma foto especialmente incrível, mas a paisagem não é o que importa - isto, diz Vladimir, é exatamente a metade dos 8,65 km de seu carro até o objetivo.
De certa forma, a viagem continua mesmo com o esqui quebrado. Quase todo passo afunda na neve, às vezes até o quadril. Mas desistir não é uma opção - o simples percurso de Moscou no rumo noroeste na camionete Ford de Vladimir levou oito horas. Depois veio uma noite no hotel Comfort, em Ustyuzhna, população 2 mil, onde o simples fato de haver água morna coloca o quarto na categoria "luxo". No dia seguinte, uma partida antes do amanhecer para o trajeto de esqui na região de Vologda.
"É diferente das caminhadas porque aqui devemos ir sempre em linha reta o máximo possível, em vez de seguir um caminho", diz Vladimir. O destino está gravado em seu aparelho GPS e uma flecha mostra a direção e a distância. Ainda faltam exatamente 2,11 km, quando Vladimir, com os olhos azuis alertas e a barba de um antigo filósofo grego, anuncia cerimoniosamente: "Agora estamos exatamente no meio do oceano".
Pântano nevado
Ele tira outra foto com sua câmera digital. Os arredores consistem em um campo nevado aparentemente interminável, com apenas alguns arbustos espalhados e galhos que se erguem como esqueletos na vastidão. "Oceano" é o nome do pântano, que hoje está enterrado sob meio metro de neve. O pântano é profundo? "Sim, bastante, certamente vários metros", responde Vladimir.
Mas esse fato não parece incomodá-lo. Afinal, não é ele que afunda na neve praticamente a cada passo. E seus pensamentos estão longe: "Ninguém esteve neste lugar antes. No verão é impossível chegar aqui, e no inverno não há absolutamente um motivo". Ele sorri feliz e continua pela paisagem branca em seus esquis largos de madeira. As presilhas de metal que unem suas botas aos esquis rangem a cada passo. Mais dois quilômetros. Depois apenas 995 metros, depois 500, 200. Nos últimos metros ele deixa a área do pântano e entra novamente em uma floresta espessa.
"Cem metros... conseguimos", Vladimir diz finalmente. Nesse raio a tentativa é considerada um êxito. Agora é a hora da "dança da confluência", a busca pela intersecção exata e a visão dos dez zeros no mostrador do GPS. Mantendo o olhar em uma bússola e no GPS amarelo ao mesmo tempo, Vladimir corre entre os arbustos, cai, levanta-se, faz algumas curvas em 90 graus e então para. Seu GPS mostra as coordenadas 59°00'00.0" N e 35°00'00.0" E. "Parabéns", ele grita, "seu primeiro ponto de confluência!"
Pinheiros cercam o lugar, com suas agulhas pesadas de neve. Realmente se parece com 59 N, 36 E, Vladimir admite. "Não é um lugar especial", ele diz, "é apenas virtual." Então ele atira dois fogos "Morte Negra" um depois do outro sobre o chão da floresta coberto de neve. O barulho rompe o silêncio como bombas explodindo. Vladimir comemora seu sucesso com um cigarro e uma barra de chocolate. Ele tira fotos nas quatro direções cardeais como prova para seu relatório online - esta é a 49ª vez que Vladimir Chernorutsky foi a primeira pessoa a alcançar um ponto de intersecção até então inexplorado. "Você tem de ser meio louco", ele admite. Então atira outra bombinha contra um pinheiro.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
14/03/2009 - 00h03
Coordenadas de GPS são o novo destino de viagens
(Por: Stephan Orth)
Mapas são coisa do século passado. Hoje em dia, aventureiros com aparelhos de GPS estão conquistando novos territórios - as coordenadas dos mapas. No selvagem inverno russo, você pode ir aonde ninguém esteve antes, por exemplo, 59 graus norte, 35 graus leste.
Existem certos sons que um esquiador de cross-country definitivamente não quer escutar, especialmente quando o destino do dia está a 15 quilômetros de distância na natureza coberta de neve da Rússia. O rugido de um urso pardo - caçadores mataram dois não longe daqui no último outono - seria um desses sons. Outro seria o rosnado de um lobo.
Mas Vladimir Chernorutsky está preparado para animais selvagens. Ele trouxe uma pequena arma para espantar animais, vários disparadores de foguetes de artifício e uma dúzia de bombinhas de uma marca chamada "Morte Negra". Ele pretende usá-las se for necessário para assustar os predadores.
Mas um som especialmente desagradável, para o qual Vladimir não está preparado, é um estalo como o de um galho se quebrando, que ocorre exatamente a 59°01'01.8" de latitude norte e 35°03'57.9" de longitude leste, em uma solitária tarde de sábado. É o estalido seco de um esqui se partindo ao meio, logo atrás do calcanhar.
"Dimitri vai matar você", é a primeira reação de Vladimir ao acidente. Dimitri é o dono desses esquis estreitos de madeira branca e foi muito gentil de emprestá-los durante dois dias. Mas assassinato nas mãos de um moscovita furioso não é realmente o problema mais urgente nesse momento, já que Moscou está a cerca de 500 quilômetros de distância. O problema mais imediato está à frente, na forma de um enorme pântano que só pode ser atravessado no inverno, quando está congelado e coberto de neve.
O destino da viagem está no lado oposto do pântano, a cerca de 4,5 km de distância. O objetivo não é um pico de montanha nem um ponto com uma paisagem maravilhosa, mas uma coordenada geográfica: 59° norte, 35° leste. E Vladimir quer ser a primeira pessoa a atingir exatamente essa intersecção de linhas de latitude e longitude.
"Nerds" de geografia e exploradores amadores
"Caça de confluências" é o nome desse jogo, e a aventura começa com um equipamento de GPS para encontrar os pontos coordenados. A idéia foi de um americano chamado Alex Jarrett. Em fevereiro de 1996, Jarrett dirigiu pelos EUA em um carro com dispositivo de GPS, tirando fotos dos pontos onde se cruzam linhas de latitude e longitude com números inteiros. Então ele publicou essas fotos em um site na web. Outros viajantes amigos da tecnologia gradativamente seguiram seu exemplo, criando um "mapeamento organizado do mundo", como Jarrett chama a coleção global de fotografias e relatórios enviados por "nerds" de geografia e exploradores amadores.
"A idéia é conhecer um país não através de um guia, mas de mudanças na paisagem vistas a intervalos regulares, de intersecção em intersecção", diz Vladimir. O matemático de 48 anos, pai de dois filhos, é um assessor financeiro de várias empresas da Internet, mas também trabalha colateralmente como coordenador russo da confluence.org. Até agora ele visitou 80 pontos de confluência (CPs, na sigla em inglês) e foi o primeiro a alcançar 48 deles. "Eu costumava fazer isso no caminho quando estava de férias, e também um pouco de admirar paisagens", ele explica. "Mas ultimamente os próprios CPs têm sido o motivo da viagem."
Na verdade, não importa muito se há algo interessante para ver no destino dessa caçada guiada por satélite. Em um mundo onde há cada vez menos lugares não mapeados e visitados, esse tipo de expedição por GPS é uma oportunidade para uma pessoa comum se tornar um explorador. As pessoas viajaram à lua, ao topo do monte Everest e ao pólo norte, mas ainda há 10 mil pontos de confluência não explorados sobre o solo em todo o mundo. Os pontos que caem em corpos aquáticos só contam se estiverem bem próximos de um litoral.
"Sempre precisa haver um ponto de orientação na terra visível nas fotografias do local", diz Vladimir, explicando as regras do projeto. Ele avalia todas as tentativas feitas na Rússia, decidindo se serão aceitas e publicadas no site. Todos os 48 pontos de confluência da Alemanha já foram visitados, e no resto da Europa somente alguns pontos continuam inexplorados, por exemplo, junto aos litorais de Portugal e da Noruega.
De repente Vladimir para e tira uma foto de pinheiros que cercam densamente seu caminho. Eles não constituem uma foto especialmente incrível, mas a paisagem não é o que importa - isto, diz Vladimir, é exatamente a metade dos 8,65 km de seu carro até o objetivo.
De certa forma, a viagem continua mesmo com o esqui quebrado. Quase todo passo afunda na neve, às vezes até o quadril. Mas desistir não é uma opção - o simples percurso de Moscou no rumo noroeste na camionete Ford de Vladimir levou oito horas. Depois veio uma noite no hotel Comfort, em Ustyuzhna, população 2 mil, onde o simples fato de haver água morna coloca o quarto na categoria "luxo". No dia seguinte, uma partida antes do amanhecer para o trajeto de esqui na região de Vologda.
"É diferente das caminhadas porque aqui devemos ir sempre em linha reta o máximo possível, em vez de seguir um caminho", diz Vladimir. O destino está gravado em seu aparelho GPS e uma flecha mostra a direção e a distância. Ainda faltam exatamente 2,11 km, quando Vladimir, com os olhos azuis alertas e a barba de um antigo filósofo grego, anuncia cerimoniosamente: "Agora estamos exatamente no meio do oceano".
Pântano nevado
Ele tira outra foto com sua câmera digital. Os arredores consistem em um campo nevado aparentemente interminável, com apenas alguns arbustos espalhados e galhos que se erguem como esqueletos na vastidão. "Oceano" é o nome do pântano, que hoje está enterrado sob meio metro de neve. O pântano é profundo? "Sim, bastante, certamente vários metros", responde Vladimir.
Mas esse fato não parece incomodá-lo. Afinal, não é ele que afunda na neve praticamente a cada passo. E seus pensamentos estão longe: "Ninguém esteve neste lugar antes. No verão é impossível chegar aqui, e no inverno não há absolutamente um motivo". Ele sorri feliz e continua pela paisagem branca em seus esquis largos de madeira. As presilhas de metal que unem suas botas aos esquis rangem a cada passo. Mais dois quilômetros. Depois apenas 995 metros, depois 500, 200. Nos últimos metros ele deixa a área do pântano e entra novamente em uma floresta espessa.
"Cem metros... conseguimos", Vladimir diz finalmente. Nesse raio a tentativa é considerada um êxito. Agora é a hora da "dança da confluência", a busca pela intersecção exata e a visão dos dez zeros no mostrador do GPS. Mantendo o olhar em uma bússola e no GPS amarelo ao mesmo tempo, Vladimir corre entre os arbustos, cai, levanta-se, faz algumas curvas em 90 graus e então para. Seu GPS mostra as coordenadas 59°00'00.0" N e 35°00'00.0" E. "Parabéns", ele grita, "seu primeiro ponto de confluência!"
Pinheiros cercam o lugar, com suas agulhas pesadas de neve. Realmente se parece com 59 N, 36 E, Vladimir admite. "Não é um lugar especial", ele diz, "é apenas virtual." Então ele atira dois fogos "Morte Negra" um depois do outro sobre o chão da floresta coberto de neve. O barulho rompe o silêncio como bombas explodindo. Vladimir comemora seu sucesso com um cigarro e uma barra de chocolate. Ele tira fotos nas quatro direções cardeais como prova para seu relatório online - esta é a 49ª vez que Vladimir Chernorutsky foi a primeira pessoa a alcançar um ponto de intersecção até então inexplorado. "Você tem de ser meio louco", ele admite. Então atira outra bombinha contra um pinheiro.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Frase do dia
"Não importa se a aventura é louca, desde que o aventureiro seja lúcido"
Chesterton (filósofo inglês)
Chesterton (filósofo inglês)
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